PSD e o caso Skripal: Governo está "condicionado" pela geringonça

C.A.C. , Lusa 28 de março de 2018
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Fernando Negrão disse que o PSD defende a expulsão de diplomatas russos e anunciou ainda que o partido vai pedir uma "audição urgente" ao MNE.

Skripal e a filha numa anterior visita ao restaurante
Augusto Santos Silva
Sergei Skripal
Augusto Santos Silva
Skripal e a filha numa anterior visita ao restaurante
Augusto Santos Silva
Sergei Skripal
Augusto Santos Silva

O PSD acusou o Governo de ter uma posição "tímida e condicionada" pelo PCP e BE no caso Skripal e defendeu a expulsão imediata de diplomatas russos, tal como fizeram a maioria dos países da União Europeia. Em declarações aos jornalistas no parlamento, o líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, anunciou ainda que o partido vai pedir uma "audição urgente" do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, para dar esclarecimentos sobre esta matéria na Assembleia da República.

Sobre a posição do Governo português, Fernando Negrão classificou-a de "tímida", porque se limitou a condenar o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal no Reino Unido - cuja responsabilidade Londres atribui a Moscovo - e também "condicionada". "A única explicação que encontro, num PS que foi sempre atlantista, é de se sentir condicionado pela aliança com PCP e BE", afirmou.

Questionado se o PSD defende a expulsão imediata dos diplomatas russos, Fernando Negrão respondeu afirmativamente. "A posição do PSD é que devemos alinhar com a maioria daqueles com quem temos estado sempre e devemos recomendar ao Governo que expulse os diplomatas russos da sua embaixada", afirmou.

Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse, à RTP, que "Portugal chamou para consultas o seu embaixador em Moscovo", rejeitando a ideia que Lisboa  esteja fora do movimento de expulsão de diplomatas russos. Santos Silva lembrou ainda que o País apoiou as decisões tomadas neste âmbito pela União Europeia e pela NATO. Já numa entrevista ao Jornal da Noite da SIC Notícias, o chefe da diplomacia portuguesa classificou a chamada do embaixador português em Moscovo como uma das respostas para o caso. "Este é um processo dinâmico, que nós devemos gerir com prudência", sustentou o ministro, mais tarde e em declarações ao Jornal da Noite da SIC Notícias, garantindo que, no âmbito deste caso, "nenhum dos instrumentos ao dispor da diplomacia está excluído".

Para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a chamada do embaixador de Portugal em Moscovo para consultas a Lisboa constitui "um aviso" e "uma decisão forte por parte do Estado português". E o que pensa o PSD desta tomada de posição? Fernando Negrão disse que lia um "elogio" do Chefe de Estado "à evolução da posição" do Governo socialista.

No dia 14 de Março, o Reino Unido anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos do território britânico e o congelamento das relações bilaterais com a Rússia, em resposta ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da sua filha com um gás neurotóxico na cidade inglesa de Salisbury. Moscovo respondeu expulsando 23 diplomatas britânicos e suspendendo a atividade do British Council na Rússia.

O caso Skripal provocou uma grave crise diplomática, que se estendeu a outros países aliados do Reino Unido, como os Estados Unidos e vários Estados-membros da União Europeia, entre os quais a Alemanha, a França e a Polónia, que decidiram também expulsar diplomatas russos.



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