Sobre a posição do Governo português, Fernando Negrão classificou-a de "tímida", porque se limitou a condenar o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal no Reino Unido - cuja responsabilidade Londres atribui a Moscovo - e também "condicionada". "A única explicação que encontro, num PS que foi sempre atlantista, é de se sentir condicionado pela aliança com PCP e BE", afirmou.
Questionado se o PSD defende a expulsão imediata dos diplomatas russos, Fernando Negrão respondeu afirmativamente. "A posição do PSD é que devemos alinhar com a maioria daqueles com quem temos estado sempre e devemos recomendar ao Governo que expulse os diplomatas russos da sua embaixada", afirmou.
Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse, à RTP, que "Portugal chamou para consultas o seu embaixador em Moscovo", rejeitando a ideia que Lisboa esteja fora do movimento de expulsão de diplomatas russos. Santos Silva lembrou ainda que o País apoiou as decisões tomadas neste âmbito pela União Europeia e pela NATO. Já numa entrevista ao Jornal da Noite da SIC Notícias, o chefe da diplomacia portuguesa classificou a chamada do embaixador português em Moscovo como uma das respostas para o caso. "Este é um processo dinâmico, que nós devemos gerir com prudência", sustentou o ministro, mais tarde e em declarações ao Jornal da Noite da SIC Notícias, garantindo que, no âmbito deste caso, "nenhum dos instrumentos ao dispor da diplomacia está excluído".
Para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a chamada do embaixador de Portugal em Moscovo para consultas a Lisboa constitui "um aviso" e "uma decisão forte por parte do Estado português". E o que pensa o PSD desta tomada de posição? Fernando Negrão disse que lia um "elogio" do Chefe de Estado "à evolução da posição" do Governo socialista.
No dia 14 de Março, o Reino Unido anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos do território britânico e o congelamento das relações bilaterais com a Rússia, em resposta ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da sua filha com um gás neurotóxico na cidade inglesa de Salisbury. Moscovo respondeu expulsando 23 diplomatas britânicos e suspendendo a atividade do British Council na Rússia.
O caso Skripal provocou uma grave crise diplomática, que se estendeu a outros países aliados do Reino Unido, como os Estados Unidos e vários Estados-membros da União Europeia, entre os quais a Alemanha, a França e a Polónia, que decidiram também expulsar diplomatas russos.