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Polícia francês terá viajado mil quilómetros para matar duas mulheres em Bragança. Tudo o que se sabe

Cédric raptou os dois filhos, a ex-companheira e a atual namorada em França, mas foi em Portugal que se desfez dos corpos das mulheres. Ao ser alvo de uma operação stop, as autoridades encontraram uma arma. Apesar de nunca ter confessado o crime, foi o filho que deu pistas para o local onde as mulheres estavam enterradas.

O caso remonta a sexta-feira passada, 20 de março, quando duas mulheres deixaram de ser vistas nas suas residências em Averyon, no sul de França, e os familiares alertaram a polícia local. Estiveram desaparecidas por quatro dias até que o seu paradeiro passou a ser conhecido.

Polícia francês raptou e matou duas mulheres em Bragança, Portugal
Polícia francês raptou e matou duas mulheres em Bragança, Portugal DIREITOS RESERVADOS

Cédric Prizzon, um ex-polícia francês de 42 anos, terá raptado a ex-mulher (de 40 anos) e a atual companheira (de 26 anos), assim como o filho de 13 anos e a filha de 18 meses. Segundo o , sedou ambas as mulheres, meteu-as na parte de trás da sua carrinha que continha uma matrícula falsa e percorreu mais de mil quilómetros até chegar a Portugal. Já em Bragança, mais precisamente junto às antigas parabólicas da RTP instaladas na serra da Nogueira, terá matado a ex-mulher, mas tendo a sua atual companheira ameaçado que o iria denunciar às autoridades, decidiu matá-la também. Os meios de comunicação social franceses reportam que ambas terão morrido por asfixia. Segundo o Correio da Manhã, o filho mais velho ficou a vigiar o local enquanto o pai enterrava ambas as mulheres, mas assustou-se quando viu um helicóptero de combate a incêndio francês a sobrevoar o local.

Mais tarde, na noite de terça-feira, uma patrulha da GNR que fazia uma operação stop rodoviária na EN102 - uma estrada pouco movimentada em Mêda - mandou parar a viatura em que seguia Cédric e aperceberam-se de que os documentos apresentados pelo homem, atualmente desempregado, eram falsificados, desde a carta de condução às matrículas. Perante estas suspeitas, os guardas decidiram revistar o automóvel em questão e lá foi encontrada uma "arma de fogo sem documentação legal", segundo o . No veículo foram também encontradas 13 placas de matrículas diferente e 17 mil euros. 

O antigo jogador de râguebi foi depois levado para uma esquadra e foi quando revelou a sua verdadeira identidade, que os guardas inseriram no Sistema de Informações Shengen, que perceberam que se tratava de um ex-militar da gendarmerie (a polícia francesa) que estava "referenciado por rapto e suspeita de homicídio". Era procurado há cinco dias pelas autoridades francesas.

Filho revelou a localização dos cadáveres

A Polícia Judiciária foi posteriormente chamada para ajudar no caso e interrogou o filho mais velho de Cédric. Confrontado, contou que foi ele quem seguiu sempre no banco da frente da viatura e que a mãe e a madrasta tinham sido ameaçadas: caso fugissem o ex-polícia faria mal aos dois menores. Garantiu que não viu o pai a matar as mulheres. mas que o viu a arrastar os corpos para um buraco. Foi aí que o menor começou a vigiar o local bastante isolado.

Cédric também foi interrogado, mas, segundo o JN, permaneceu sempre em silêncio. Acontece que o filho acabou por descrever o crime à polícia, dando pistas de onde os corpos poderiam ter sido enterrados. Na manhã de quarta-feira as autoridades acabariam por encontrar dois corpos. Decorre agora a autópsia para apurar as identidades de ambos os cadáveres assim como o motivo que levou à morte das mesmas, sendo que para já a polícia sujeita que tenham sido estranguladas. 

Polícia francesa investiga homicídios de mulheres em Bragança
Polícia francesa investiga homicídios de mulheres em Bragança, após rapto em França por Cédric e descoberta de arma

O francês foi esta quinta-feira presente ao Tribunal de Vila Nova de Foz Côa, estando indiciado pelos crimes de duplo homicídio e profanação de cadáver. Jás as crianças estão institucionalizadas, segundo o JN.

Cédric já tinha antecedentes judiciais

Cédric Prizzon já tinha perdido uma batalha judicial recente contra a ex-mulher de 40 anos - batalha esta que durava já há vários anos. O francês perdeu os direitos parentais sobre o filho mais velho depois de ter levado a criança para Espanha, em 2021, sem a autorização da mãe, segundo o jornal Le Monde. Depois disso, juntamente com outros pais, decidiu iniciar uma greve de fome em frente ao tribunal de Rodez e em manifestações em frente à Câmara Municipal de Villefranche-de-Rouergue.

Além disso, já havia sido "condenado por sequestro de menor e assédio à ex-cônjuge", segundo declarou o procurador de Rodez, Nicolas Rigot-Muller, citado pelo .

A relação entre o ex-polícia e a antiga companheira não era, de facto, a melhor. O homem chegou também a acusar por diversas vezes a ex-companheira nas redes de sociais de colocar o filho em perigo. Segundo ele, a mãe do rapaz  forçava o "filho a mentir". Em 2023, chegou até a denunciar ao jornal Centre Presse, de Aveyron, supostas pressões que a mulher exercia sobre a criança.

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