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Secção cultural repudia Académica de Coimbra por pagar dívida com barris de cerveja

Lusa 18:42
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Alegados problemas com dívidas levaram a associação académica a propor o pagamento em géneros à Secção de Jornalismo, que manifestou "profundo descontentamento".

A Associação Académica de Coimbra (AAC) propôs-se a adiantar o pagamento de dívidas a secções e núcleos de estudantes com barris de cerveja, o que motivou uma nota de repúdio da Secção de Jornalismo que tem a receber 3.500 euros.

Barris de cerveja
Barris de cerveja ELEVATE/ Pexels

A Secção de Jornalismo da AAC (SJ/AAC), onde funciona o jornal universitário A Cabra, publicou na quarta-feira uma nota de repúdio, depois de a Direção-Geral (DG/AAC) lhe ter proposto começar a pagar a dívida de 3.500 euros com "barris de cerveja", de forma unilateral.

"A SJ/AAC vem manifestar o nosso profundo descontentamento", lê-se na nota que foi também lida na Assembleia Magna de 18 de março.

Segundo a presidente daquela secção cultural, Rita Sousa, em causa estão 3.500 euros de transferências da reitoria da Universidade de Coimbra, ao abrigo de um protocolo, entre 2023 e 2025, que teriam como destino a Secção de Jornalismo, mas que nunca chegaram à entidade, ficando na conta da DG/AAC.

"A dívida perfaz 3.500 euros. A nós, disseram que não tinham condições para pagar, que enfrentavam uma grande dívida e que não lhes era viável pagar-nos em dinheiro. E disseram que iam saldar com barris de cerveja", disse à agência Lusa a responsável, referindo que os barris, que normalmente são pagos à DG/AAC para convívios de secções e núcleos, seriam descontados no valor.

De acordo com Rita Sousa, a SJ/AAC tentou pagar os barris de cerveja usados para convívios, mas a tesouraria da DG/AAC não deixou.

"Estou insatisfeita com esta injustiça, porque é dinheiro público destinado a pagar à Secção de Jornalismo e não acho justo estarem a pagar-nos em barris", disse, considerando "muito dúbio esta forma de se pagar a partir de barris".

Contactado pela agência Lusa, o presidente da DG/AAC, José Machado, considera a nota de repúdio da SJ/AAC "descontextualizada", "sensacionalista" e de "mau tom", apesar de confirmar a dívida de 3.500 euros, assim como a proposta de ir dando resposta de curto prazo a dívidas de secções e núcleos com a oferta de barris de cerveja.

"Esta foi a solução para todas as estruturas. Nenhuma se opôs. Publicamente, esta foi a única secção que criticou e os núcleos têm sido muito compreensivos", vincou.

José Machado referiu que à SJ/AAC foi-lhes dito que não haveria capacidade da Direção Geral para dar resposta à dívida no curto prazo, dando como solução no imediato oferecer barris de cerveja, com o compromisso de, "a médio prazo, repor o dinheiro em falta".

O presidente da DG/AAC sublinhou ainda que foi a primeira Direção Geral a admitir o erro na falta de transferência das verbas da reitoria para a Secção de Jornalismo.

José Machado recordou que a Associação Académica tem uma dívida de cerca de 600 mil euros, quando no início do seu mandato era de 900 mil euros, e que tem procurado equilibrar as contas da casa, com renegociação de contratos, aumento de receitas, redução de despesas e mapeamento dos resultados contabilísticos dos últimos dez anos.

"Não compreendo que esta secção venha agora a público reclamar. Parece-me que não querem contribuir para a requalificação financeira da casa. Se há Direção Geral transparente, foi a nossa", salientou, vincando que, neste momento, não haveria possibilidade de repor o dinheiro face à situação financeira difícil da DG/AAC.

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