Os crimes e provas que tramaram Armando Vara

Os crimes e provas que tramaram Armando Vara
Alexandre R. Malhado 14 de janeiro de 2019

Recurso após recurso, adiou a prisão até ao limite. No prazo máximo de três dias vai entrar na cadeia de Évora - quatro anos depois da primeira condenação.

É o fim da linha para Armando Vara no processo Face Oculta. Dez anos após ter sido constituído arguido e depois de quatro anos de recursos desde a primeira condenação, o ex-ministro dos governos de António Guterres e José Sócrates vai dar entrada no Estabelecimento Prisional de Évora para cumprir uma pena de cinco anos de prisão, após a sentença ter transitado em julgado no dia 11 de dezembro de 2018.

OS CRIMES
São três os crimes de tráfico de influência pelos quais foi condenado pelo Tribunal de Aveiro no dia 5 de setembro de 2014. Em 2009, então vice-presidente do BCP, Vara recebeu cerca de 25 mil euros para exercer influência junto de Mário Lino, ministro das Obras Públicas do governo de José Sócrates, a favor do sucateiro Manuel Godinho, líder do grupo O2 e o protagonista do caso Face Oculta, pela "rede tentacular" de favores que criou, como descreve o Tribunal de Aveiro.

O crime de tráfico de influência pelo socialista ficou provado em três ocasiões. Em 2006, por influenciar o ministro Mário Lino a interceder a favor da O2 num desentendimento judicial com a Refer. De acordo com a sentença em primeira instância, feita pelo coletivo liderado pelo juiz Raul Cordeiro, Armando Vara promoveu "contactos com Mário Lino", no sentido da "resolução e superação do diferendo entre a O2 e a Refer, com prevalência dos interesses de Manuel Godinho e da sua empresa e, bem assim, da necessidade de a Refer alterar o seu comportamento comercial para com a O2". Voltou a praticar este crime em duas ocasiões em 2009: quando o sucateiro de Ovar lhe solicitou que voltasse a influenciar Lino - desta vez para afastar Luís Pardal da liderança da Refer e a sua secretária de Estado Ana Paula Vitorino, que tutelava a rede ferroviária nacional - e Domingos Paiva Nunes, administrador da EDP Imobiliária (Grupo EDP), para que as empresas de Manuel Godinho fossem contratadas.

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