O homem que comprou a Groundforce sem dinheiro

Alfredo Casimiro comprou 50,1% da empresa em 2012 sem pôr dinheiro e só em Março de 2018, após a execução de uma garantia bancária, acabou de pagar à TAP. Entretanto já recebera milhões em comissões de gestão, que chegou a levantar em "cash" no banco.

As negociações estavam encaminhadas: no início deste mês o Governo autorizava que a TAP adiantasse mais três milhões de euros à sua participada em apuros Groundforce, para ajudar a pagar os salários de Fevereiro. Durante uma semana a TAP e o ministério liderado pelo ministro Pedro Nuno Santos tinham negociado com Alfredo Casimiro, o accionista maioritário da Groundforce: a troco do dinheiro, Casimiro daria as suas ações na empresa como garantia, cedência que começou por recusar, mas que depois admitiu publicamente estar pronto a fazer.

Só que quando os advogados da TAP receberam a cópia do contrato assinado pelo empresário, já perto da meia-noite do último dia do prazo acordado, viram que faltava algo: não havia referência ao penhor das ações. A reação foi de incredulidade total.

Era já madrugada quando Alfredo Casimiro confirmou, ao telefone, que não podia cumprir porque, afinal, as ações não eram suas - estavam dadas como penhor ao Montepio, o banco que lhe emprestou dinheiro para comprar a Groundforce. 

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