Militantes do BE impõem pacto de silêncio sobre caso de violência doméstica

Militantes do BE impõem pacto de silêncio sobre caso de violência doméstica
Diogo Barreto 12 de maio

Partido sabia da alegada agressão de que foi acusado o deputado Luís Monteiro, mas não foram apresentadas queixas a nível interno. Grupo de jovens "ostracizou" quem questionava a forma como o BE lidou com o caso.

Preocupado com as repercussões de um escândalo envolvendo o deputado Luís Monteiro e um caso de agressão doméstica, o Bloco de Esquerda tentou resolver o assunto de forma interna e com um núcleo restrito. Mas os rumores incomodaram os militantes de base que não se calaram e questionaram as esferas superiores sobre as acusações contra o deputado que, alegadamente, agrediu uma ex-namorada em 2015. A consequência? Chamadas telefónicas intimidatórias feitas por militantes mais velhos do partido e a imposição de um "pacto de silêncio" sobre o tema, entre os mais jovens. Entrentanto, o deputado enviou um email aos membros da distrital do partido no Porto, anunciando a vontade de deixar de ser candidato autárquico a Vila Nova de Gaia. Mas as últimas semanas do Bloco têm marcadas pela tensão. 

"Tentei questionar no partido sobre os rumores que íamos ouvindo sobre as acusações contra o Luís Monteiro, mas começaram a dizer-me que isso era um assunto externo ao partido, que importava era continuar a concentrar-me nas lutas do partido", conta à SÁBADO uma militante que preferiu manter o anonimato. 

Fonte oficial do Bloco de Esquerda detalha que Catarina Alves, a ex-namorada que acusa o deputado de violência doméstica, foi ouvida "informalmente", mas que nunca foi apresentada qualquer queixa junto do partido. "Temos conhecimento de que Catarina Alves foi ouvida informalmente por membros do Bloco, os quais, tanto quanto sabemos, fizeram o que deve ser feito: face a uma denúncia relativa a factos exteriores à vida do partido, envolvendo aderentes ou não aderentes, as vítimas devem ser encaminhadas para organizações específicas que as podem apoiar. O Bloco pratica a tolerância zero com a violência. É à justiça que cabe apurar factos e punir abusos", diz fonte oficial do partido.

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