O fundador da Prozis investiu no ContraProva, novo projeto de imprensa de Pedro Almeida Vieira, diretor do Página Um.
Começou a ser publicado esta semana um novo jornal digital, o ContraProva. O diretor do projeto é o jornalista e diretor do Página Um, Pedro Almeida Vieira, enquanto o diretor editorial é o jornalista Frederico Duarte Carvalho. Já o principal investidor é o fundador da Prozis, Miguel Milhão, que prometeu 264 mil euros para "viabilizar a fase inicial do projeto".
Miguel Milhão prozisYouTube
Descrito pelo jornalista e diretor Pedro Almeida Vieira como um projeto editorial com método, critérios públicos e responsabilidade assumida", é um jornal que se dedica a analisar a imprensa e a relatar as falhas encontradas em artigos publicados na imprensa nacional. Já no Página Um o jornalista Pedro Almeida Vieira escrevia várias vezes sobre alegadas falhas encontradas em outros títulos de imprensa, mas este novo projeto é apenas dedicado a essa atividade.
No texto de apresentação do financiamento projeto, Pedro Almeida Vieira refere que o apoio concedido por Miguel Milhão (264 mil euros) vai garantir a sobrevivência do projeto durante dois anos e que o milionário não vai interferir na linha editorial do projeto (Milhão já brincou várias vezes com a possibilidade de comprar títulos como a Visão ou a SIC). "Não há participações cruzadas, não há interferência na linha editorial, não há temas proibidos nem conclusões pré-determinadas. O financiamento é declarado; a independência, contratual e editorialmente, está assegurada", assegura o diretor do título.
No contrato assinado entre as partes e partilhado no site do ContraProva, é explicitado que Milhão avançou com 68.500 euros na data de assinatura do contrato e que se compromete a pagar os restantes 195 mil euros de forma mensal ao longo de 23 meses (€8.500 por mês). O acordo prevê a possibilidade de conversão do investimento de Miguel Milhão em capital social da sociedade Página Temerária, Lda., entidade detentora do ContraProva, até ao limite máximo de 49% do capital social. Atualmente, a Página Temerária, Lda. tem um capital social de cinco mil euros e é detido na sua totalidade por Pedro Almeida Vieira, sendo 2% detidos a título individual e 98% através da sociedade Diário Insubmisso, Unipessoal, Lda.
Na página sobre o financiamento do projeto pode ler-se que o investimento de Milhão destina-se "exclusivamente a viabilizar a fase inicial do projeto".
Miguel Milhão no espaço público
Durante muitos anos o fundador da Prozis foi um empresário discreto. Até que uma publicação no LinkedIn mudou tudo. Em junho de 2022 escreveu: "parece que os bebés por nascer têm os seus direitos de volta nos EUA, a natureza está a curar-se".
Na altura disse que não queria ter exposição pública, que nunca a desejara. Mas desde junho que se tornou uma micro celebridade no X/Twitter, pagou anúncios na televisão e lançou um podcast. No YouTube publica o podcast CdK, sigla de Conversas do Karalho. Ao podcast – com um público e convidados predominantemente masculinos – levou vários políticos à direita do PSD (a conversa de quase duas horas com André Ventura tem 760 mil visualizações), influenciadores e empresários nacionais.
Em junho de 2025 a SÁBADO escrevia que o antigo empresário discreto estava a "tentar construir uma plataforma de intervenção cívica e política, com uma mensagem libertária na economia (anti-Estado) e conservadora nos costumes". Nesse mesmo artigo escrevia-se que poderia haver interesse em comprar um órgão de comunicação social. Em 2020, a Prozis fez parte de um consórcio – com Marco Galinha, do grupo Bel, e Gustavo Guimarães, representante em Portugal do gigante financeiro norte-americano Apollo – para comprar a TVI. Milhão ficou próximo de Galinha (então acionista da Global Media, dona do DN e do JN) e tem uma boa relação com Guimarães, influente no meio financeiro. Marco Galinha foi alvo de várias notícias do Página Um ao longo dos anos. Já sobre Miguel Milhão não há artigos.
Miguel Mihão investe 264 mil euros num novo jornal
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