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Presidenciais: IL não apoia nenhum candidato mas Mariana Leitão vota "sem entusiasmo" em Seguro

Lusa 22 de janeiro de 2026 às 22:04
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A IL "não vai apoiar nenhum candidato" na segunda volta e não fará campanha "na medida em que o seu espaço político, reformista, do centro-direita, não é representado por nenhum deles".

A presidente da Iniciativa Liberal anunciou esta quinta-feira que irá votar "sem entusiasmo" em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, contra André Ventura, mas o seu partido não dará apoio ou fará campanha por qualquer dos candidatos.

Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal
Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal Lusa_EPA

"Perante esta situação e sem grande entusiasmo vou votar em António José Seguro. (...) Porque rejeito liminarmente a forma de fazer política do outro candidato [André Ventura], o populismo, o divisionismo, e a política através da mentira. Como rejeito e repudio e não me revejo nessa forma de fazer política faço a minha opção", anunciou Mariana Leitão em entrevista à SIC-Notícias.

De acordo com a dirigente, a IL "não vai apoiar nenhum candidato" na segunda volta e não fará campanha "na medida em que o seu espaço político, reformista, do centro-direita, não é representado por nenhum deles".

Apesar de não apoiar nem Seguro nem Ventura, Mariana Leitão afirmou que a IL "rejeita o candidato populista, que quer destruir tudo, que explora os problemas das pessoas em vez de os tentar resolver".

"Mas também não podemos validar um candidato que quer deixar tudo na mesma", afirmou, referindo-se a António José Seguro, que disse que poderá ser "uma força de bloqueio em Belém".

Mariana Leitão negou estar em causa falta de coragem e lembrou que o seu partido tem um "histórico de combate fortíssimo ao socialismo" mas também "ao populismo".

"A Iniciativa Liberal, enquanto partido, estar a fazer campanha por alguém que pode inclusive vir a ser uma força de bloqueio em Belém, pode não ir ao encontro das necessidades das pessoas, pode não permitir que o país ande para a frente, desculpe, acho que compreende que isto não é uma questão de coragem, é uma questão também de fazer aquilo que sentimos que é o correto nesta segunda volta das presidenciais", argumentou.

Na ótica da líder dos liberais, a votação na primeira volta demonstrou que existe "um conjunto alargado de pessoas que deixou de votar" nos partidos que têm governado o país nas últimas décadas, e considerou que Seguro "não deu ainda sinais" de que pode ser "a voz" desse eleitorado.

"Era importante que o próprio olhasse para este eleitorado, e para os resultados da primeira volta, e percebesse que tem que falar para estas pessoas e de dar sinais de que está disponível a abrir a porta a reformas e à mudança que o país precisa. Acho que isso podia ser um bom prenúncio para o futuro", afirmou.

Sobre a campanha de João Cotrim de Figueiredo -- que ficou marcada por uma denúncia por parte de uma ex-assessora do grupo parlamentar da IL de assédio sexual contra o candidato -- Mariana Leitão disse ter sido uma "campanha extraordinária" e disse ter tomado "uma boa decisão".

A dirigente acrescentou ainda que Cotrim "faz muita falta à política nacional", mas remeteu questões sobre o seu futuro para o próprio.

Apesar de voltar a criticar o presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, por não ter estado "à altura das circunstâncias" ao ter apoiado Luís Marques Mendes na primeira volta, Mariana Leitão disse manter a abertura com o Governo para dialogar desde que o executivo concretize reformas e não se limite a anúncios.

Na primeira volta das eleições presidenciais, a 18 de janeiro, a IL apoiou o seu antigo líder e eurodeputado João Cotrim de Figueiredo, que ficou em terceiro lugar com 16,01 % dos votos.

O líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, e os deputados Rodrigo Saraiva e Carlos Guimarães Pinto, já anunciaram que vão votar em António José Seguro.

Na noite eleitoral, Cotrim de Figueiredo anunciou que não tenciona endossar ou recomendar o voto em qualquer dos candidatos e considerou que os portugueses se verão confrontados com uma "péssima escolha".

O presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, também anunciou, na noite eleitoral, que o seu partido não apoiará nenhum candidato na segunda volta, depois de ter apoiado Luís Marques Mendes na primeira, tal como o CDS-PP.

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