Manuel Salgado, o homem que manda(va) na cidade

Manuel Salgado, o homem que manda(va) na cidade
Margarida Davim 11 de fevereiro

O ex-vereador do Urbanismo que pediu a demissão da presidência da SRU, já foi o homem com mais poder na Câmara de Lisboa. Há quem o compare ao Marquês de Pombal e não falta quem questione a forma absoluta como decide ou ponha em causa o modo como gere conflitos de interesses com a família.

O ex-vereador do Planeamento, Urbanismo, Património e Obras Municipais da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Salgado, pediu esta quinta-feira a demissão da Lisboa Ocidental SRU, a empresa de reabilitação urbana da autarquia que liderava, depois de ter sido constituído arguido numa investigação sobre a construção do Hospital CUF Tejo. Deixará, aos 76 anos, de ocupar um lugar que lhe dava grande poder na construção da cidade. É o fim de uma era em que, por mais de uma década, Salgado moldou a face de Lisboa. Recorde este perfil publicado pela SÁBADO em setembro de 2018.

Quem manda não é o Rei, é o Marquês de Pombal. Na Câmara, Medina pode ser o rei, mas Manuel Salgado é o marquês. Quem o diz são os críticos daquele que é considerado o vereador do Urbanismo com mais poder de sempre na Câmara Municipal de Lisboa (CML). Salgado controla directamente as unidades de execução - o que lhe permite dispensar os Planos de Pormenor -, tem um gabinete de planeamento estratégico para dar resposta aos projectos prioritários que é descrito como uma "tropa de choque" e desde Julho que está aos comandos da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), uma empresa municipal que é vista pela oposição como uma câmara dentro da câmara.

Desde que chegou aos Paços do Concelho, em 2007, que os poderes de Manuel Salgado - que, apesar das várias tentativas não quis responder às questões da SÁBADO - têm vindo a ser reforçados. Mas a alteração aos estatutos da SRU aprovada no início do Verão aumenta significativamente a influência do vereador do Urbanismo e, segundo a oposição, dispensa-o de grande parte do escrutínio tanto na Câmara como na Assembleia Municipal.

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