Coincidindo com o Dia Internacional do Enfermeiro, a greve pretende reivindicar, entre outras medidas, a contratação de mais profissionais, o fim dos contratos precários e o pagamento dos retroativos entre 2018 e 2021 referentes à progressão na carreira.
Mais de 100 enfermeiros de todo o país exigem esta terça-feira em Lisboa o aumento de salários e protestam contra o banco de horas, num dia de greve nacional convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
Manifestação de enfermeiros em LisboaANTÓNIO COTRIM/LUSA
"É urgente e necessário o aumento de salário", "Governo escuta enfermeiros estão em luta" e "35 horas para todos sem demoras, eram alguns dos gritos que se ouviam durante a manifestação.
Ao som de tambores, os enfermeiros começaram a concentrar-se no Campo Pequeno, em Lisboa, pelas 10h30 e às 11h50 já tinham chegado ao Ministério da Saúde, de quem esperam uma reunião sobre a contagem de pontos para a progressão na carreira, depois da greve de hoje.
"Esperamos que o Ministério da Saúde, depois desta greve, desta manifestação do Dia Internacional do Enfermeiro, nos convoque para uma reunião, designadamente sobre a questão da contagem de pontos por avaliação de desempenho", disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins, durante a concentração.
Presente no protesto, a enfermeira Isabel Barbosa, do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, justificou a presença na manifestação com a necessidade de lutar pela valorização da profissão.
"Nós já temos horários muito penosos. Precisamos que valorizem a profissão de enfermagem", disse à Lusa.
Na manifestação, que cortou a rua em frente ao Ministério da saúde, estava também o enfermeiro Ricardo Silva, do Hospital Santa Maria, que defendeu a qualidade no trabalho nos serviços de saúde e no Serviço Nacional de Saúde.
"Nós temos serviços onde a dotação de enfermeiros está muito abaixo daquilo que são as recomendações da Ordem dos enfermeiros e de outras entidades", disse à Lusa Ricardo Silva.
Segundo o presidente do SEP, a adesão à greve de enfermeiros dos setores público, privado e social, será elevada, sobretudo nos centros de saúde e nas consultas externas.
"É expectável uma elevada adesão à greve, desde logo nos Centros de Saúde e nas consultas externas, onde os enfermeiros não têm o dever legal de comparecer, nos blocos operatórios, onde haverá vários encerrados e, portanto, necessidade da reprogramação das próprias cirurgias", disse o responsável, garantindo que os serviços mínimos estão assegurados.
De acordo com a estrutura sindical, trata-se de uma "greve nacional de toda a enfermagem portuguesa", permitindo que todos os enfermeiros estejam cobertos pelo pré-aviso, independentemente do setor em que exercem a sua atividade.
Coincidindo com o Dia Internacional do Enfermeiro, a greve pretende reivindicar, entre outras medidas, a contratação de mais profissionais, o fim dos contratos precários e o pagamento dos retroativos entre 2018 e 2021 referentes à progressão na carreira.
O SEP exige ainda um horário de 35 horas semanais para todos os enfermeiros, assim como a rejeição do pacote laboral que o Governo pretende implementar e da proposta que está em negociação de um novo Acordo Coletivo de Trabalho, alegando que "visa retirar rendimento aos enfermeiros", agravando os "problemas já hoje existentes".
O sindicato decidiu avançar para a greve como forma de reclamar uma avaliação do desempenho "justa, sem quotas e objetiva", que avalie cada enfermeiro com base na prestação de cuidados e de acordo com as suas competências e funções.
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