Empresário César Boaventura admitiu estar na origem do caso "Cashball"

Empresário César Boaventura admitiu estar na origem do caso 'Cashball'
Carlos Rodrigues Lima 18 de novembro de 2020

Declarações foram feitas na Polícia Judiciária do Porto. André Geraldes, ex-diretor geral do Sporting, revelou contacto do denunciante do processo que lhe terá dito estar a trabalhar com Paulo Gonçalves, arguido no E-toupeira


O empresário de jogadores César Boaventura admitiu perante dois inspetores da Polícia Judiciária ter estado na origem do processo "Cashball", que envolve o antigo diretor-geral do Sporting, André Geraldes, cujo relatório final da Polícia Judiciária do Porto foi recentemente conhecido. As palavras de César Boaventura, que a 7 de maio de 2019 se deslocou à PJ do Porto para prestar declarações num processo, foram registadas por dois inspetores numa informação de serviço relativa a "conhecimento fortuito de informação" relativa ao processo "Cashball".

Segundo o auto, a que a SÁBADO teve acesso, os inspetores começam por explicar ter encetado "conversa informal com o referido indivíduo, no sentido de perceber as ligações existentes entre os diversos agentes do futebol". "No meio da conversa e quando se falava de intermediários", continua o auto, "César Boaventura puxou como tema da conversa o designado processo "Cashball", referindo ter sido "o próprio quem contribuiu para que o processo de espoletasse, tendo sido a pessoa que apresentou o denunciante e agente de jogadores, Paulo Silva", de quem é amigo há muitos anos", ao seu atual advogado, Carlos Macanjo. Boaventura acrescentou ainda que, meses antes da operação que levou à detenção de Paulo Silva e André Geraldes, entre outros arguidos, a 16 de maio de 2018, foi contactado por Carlos Macanjo para uma reunião.

No encontro, o advogado, segundo o relato, pediu-lhe o contacto de Paulo Silva, afirmando desconhecer que contactos e conversas é que existiram posteriormente entre os dois. Certo é que, ainda de acordo com o relatado, César Boaventura e Carlos Macanjo voltariam a falar uma semana antes da operação da Polícia Judiciária do Porto: "Foi-lhe solicitado por aquele advogado, na sexta-feira, 11 de maio de 2018, que publicasse na sua página de Facebookok um texto, fazendo referência a André Geraldes e ao facto de aquele alegadamente corromper jogadores do Vitória de Guimarães para beneficiar o Sporting Clube de Portugal na época 2017/2018. Refere que o texto que acabou por publicar nesse dia, com o título "Geraldes a passear nas muralhas de Guimarães", lhe foi integralmente enviado por aquele advogado e que ele publicou como sendo seu".

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