Segundo o TdC, o hospital de Évora nomeou administradores que não reuniam os requisitos legais e regulamentares para o exercício do cargo e efetuou eventuais pagamentos indevidos a médicos com funções de chefia.
Os diretores e chefes de serviço doHospital do Espírito Santo de Évora(HESE) apresentaram a demissão em bloco, na sequência da auditoria do Tribunal de Contas (TdC), revelou esta sexta-feira à agência Lusa fonte hospitalar.
"Alheios aos motivos que originaram os pagamentos indevidos e considerando que a forma como o processo foi conduzido é lesiva do seu bom nome" apresentam a sua demissão das funções de direção, chefia e coordenação, pode ler-se na carta assinada pelos 23 médicos com cargos de chefia, a que Lusa teve acesso.
Segundo o TdC, o hospital de Évora nomeou administradores que não reuniam os requisitos legais e regulamentares para o exercício do cargo e efetuou eventuais pagamentos indevidos a médicos com funções de chefia.
Estas foram as principais conclusões de uma auditoria do TdC à nomeação e atribuição de remunerações acessórias e suplementos a pessoal dirigente no HESE, no período entre 2015 e 2018, cujo relatório, datado de setembro, foi divulgado na quarta-feira.
Na parte relacionada com o pagamento de suplementos remuneratórios a profissionais da carreira médica que exerceram funções de direção, chefia ou coordenação, o tribunal refere que o HESE pagou "em 14 vezes por ano, contrariando o estipulado" na lei, a qual determina que "são devidos e pagos em 12 vezes por ano".
"Entre os anos de 2015 e 2018, o HESE pagou aos 47 profissionais médicos que exerceram funções de direção, chefia ou coordenação suplementos remuneratórios além do estipulado legalmente, no valor global de 85.994,17 euros", precisa o TdC.
A entidade fiscalizadora recomendou ao conselho de administração do hospital que deve "acionar os mecanismos legais para a restituição dos dois meses por ano de suplementos remuneratórios pagos ilegalmente aos profissionais médicos que exerceram funções de direção, chefia ou coordenação".
No entanto, a presidente do HESE, Maria Filomena Mendes, em declarações proferidas à Lusa, na quarta-feira, após a divulgação do relatório da auditoria, disse discordar das conclusões do TdC.
Sobre os suplementos remuneratórios pagos a médicos com funções de chefia em 14 meses em vez de 12, Filomena Mendes argumentou que "a legislação que regulamentava os suplementos é de 1990 e foi revogada em 2009" e que, desde aí e até este ano, "existia um vazio legal".
"Foram pedidos esclarecimentos ao Ministério da Saúde e à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS)" e "só em julho" deste ano é que uma circular informativa da tutela esclarece que os suplementos "devem ser pagos em 12 meses", o que o HESE já está a fazer este ano, realçou.
Por outro lado, a presidente do HESE considerou que, no futuro, o TdC deveria adotar "uma atitude pedagógica", notando que a falta de orientações que existiu "não garante equidade", porque uns hospitais podem ter pago 12 meses e outros 14 e "nos que são alvos de auditoria [os médicos] têm que repor [o dinheiro], os que não são alvo não têm que repor".
"É uma extrema injustiça, sobretudo, para os nossos profissionais", considerou, lamentando que os clínicos tenham que "devolver algo que foi pago e recebido de boa fé", porque "o conselho de administração não tinha orientações claras e os médicos entendiam que isso lhe era devido".
Quanto à nomeação de administradores hospitalares, a responsável justificou o regime de comissão de serviço com a necessidade de o HESE ter trabalhadores naquelas funções e o facto de "o concurso para [ingresso na carreira de] administrador hospitalar não abrir desde 2004".
"É a única forma legal de contratar administradores hospitalares atualmente, porque senão não podemos ter esses profissionais a trabalhar connosco", frisou Maria Filomena Mendes, assinalando que "não é verdade" que os nomeados mantiveram as mesmas funções e tarefas, como diz o TdC.
"Havia uma necessidade do hospital e veio a demonstrar-se que o HESE conseguiu melhorar muito em termos da sua organização e da sua capacidade de resposta aos utentes", acrescentou.
Diretores e chefes de serviço do hospital de Évora demitem-se após auditoria
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui ,
para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana. Boas leituras!
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Chamar a este projeto de “corredor da paz” enquanto se inscreve o nome de Trump é uma jogada de comunicação que consolida a sua imagem como mediador global da paz.
Cuidarmos de nós não é um luxo ou um capricho. Nem é um assunto que serve apenas para uma próxima publicação numa rede social. É um compromisso com a própria saúde, com a qualidade das nossas relações e com o nosso papel na comunidade.
Prepara-se o Governo para aprovar uma verdadeira contra-reforma, como têm denunciado alguns especialistas e o próprio Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, num parecer arrasador.