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Da saúde à imigração, o que defende cada candidato presidencial

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Portugueses vão às urnas no dia 18 de janeiro. Isto é o que defende cada candidato presidencial nos temas da saúde, imigração, habitação ou defesa.

A 18 de janeiro os portugueses vão dirigir-se às urnas para eleger o próximo Presidente da República. Para facilitar essa escolha, a SÁBADO enumerou diversos temas, desde a saúde, à habitação e até à imigração, e dará a conhecer a posição de cada candidato presidencial (por ordem alfabética).

Candidatos presidenciais abordam temas da saúde e imigração
Candidatos presidenciais abordam temas da saúde e imigração DR

1Saúde

- André Pestana: pede mais investimento e recursos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e diz que é o único candidato à Presidência da República preocupado em travar a transferência de metade do orçamento do serviço de saúde para os privados.

- André Ventura: defende que o dinheiro do Estado devia ser usado para comprar ambulâncias e não em subvenções vitalícias. Promete que como Presidente "obrigaria o Governo" a ter "um plano concreto". Caso não haja, promete consequências: "Dizer ao Governo que se não entra na linha, a ministra da Saúde tem que sair".

- António Filipe: diz que os problemas da saúde são "gravíssimos" e não uma perceção, como afirma Luís Montenegro, e que o dever do Estado "é fortalecer o SNS". Defende que "é preciso afastar as políticas neoliberais na saúde". "Faltam profissionais na saúde."

- António José Seguro: acredita que o Governo devia ter uma proposta para alterar a organização do SNS, "de modo a que os portugueses pudessem aceder a tempo e horas a cuidados de saúde". Sobre como se pode atrair mais médicos e enfermeiros, defende que esse problema se resolve com melhores salários, progressão na carreira e condições para que as pessoas possam trabalhar com qualidade. Além disso, quer um pacto entre partidos para a Saúde.

- Catarina Martins: defende que, em vez de ambulâncias no verão, o país precisa "já" de mais macas nos hospitais e uma "mudança" na política de saúde. Quer ainda dar destaque ao tema da desigualdade de género no acesso à saúde.

- Henrique Gouveia e Melo: diz que "o que está a acontecer na saúde não é falta de recursos, porque estes têm aumentado muito, mas de organização interna" e quer dar "espaço à medicina privada".

- Humberto Correia: afirma que "a saúde passa pela educação" e que "se as pessoas não consumirem venenos sem necessidade, pouco precisam de hospitais".

- João Cotrim de Figueiredo: defende que "os portugueses devem poder optar pelo prestador de saúde" e que "não reformar estruturalmente o sistema é irresponsável".

Jorge Pinto: acredita que a ministra da Saúde "não tem condições para continuar" e diz estar "cansado de um país onde o primeiro-ministro anuncia a compra de ambulâncias". Face às falhas no INEM, que resultaram na morte de três pessoas, afirma que se fosse Presidente teria convocado o primeiro-ministro e a ministra da Saúde.

- Luís Marques Mendes: defende que os gestores "deviam ser todos nomeados por concurso público". Sobre as falhas do INEM, diz que "exigiria explicações" ao primeiro-ministro.

- Manuel João Vieira: quer proibir a doença.

2Imigração

 - André Pestana: afirma que os imigrantes vieram para ocupar o espaço de milhares de jovens.

- André Ventura: quer que imigrantes que cometam crimes graves em Portugal sejam expulsos.

- António Filipe: defende que o caminho não pode ser o da expulsão dos imigrantes, mas sim a sua legalização. Acredita que a imigração é um bem para o país. “Primeiro precisamos de imigração, segundo precisamos de imigração regulada, terceiro precisamos de combater as redes de tráfico e quarto precisamos de encontrar mecanismos que permitam a integração dos cidadãos estrangeiros e das suas famílias."

- António José Seguro: garante que é preciso "controlar a imigração e integrar melhor" e diz que promulgaria a segunda versão da lei dos estrangeiros por considerar que "é fundamental disciplinar" os imigrantes.

- Catarina Martins: acredita que a lei dos estrangeiros retira direitos aos imigrantes.

- Henrique Gouveia e Melo: concorda "genericamente" com a lei da imigração, mas diz que "pode afetar a economia". "Seria mais razoável que a lei da imigração contemplasse um plano para fazer essa transformação em vez de fechar de imediato as portas."

- Humberto Correia: admitide não conhecer a fundo a Lei de Estrangeiros e Nacionalidade. Vinca que "Portugal não pode viver sem imigração", mas que "tem de haver um equilíbrio", e que "é preciso repor o SEF nas fronteiras".

João Cotrim de Figueiredo: sobre a lei da nacionalidade, diz que não "insistira na alteração do código penal", mas que a promulgaria.

- Jorge Pinto: aponta o acesso à língua portuguesa como "fundamental" e coloca como prioridades as crianças.

- Luís Marques Mendes: diz que a maioria das medidas tomadas em Portugal ao longo do último ano "eram indispensáveis" mas que o País precisa "de imigrantes porque os portugueses já não querem fazer certos trabalhos". Quer combater a burocracia e diz que se fosse Presidente promulgaria a lei dos estrangeiros.

- Manuel João Vieira: diz que é essencial "pensar no território" e propõe a "igualdade total de pigmentação". “A ideia é os mais escuros ficarem mais claros e os mais claros, como os habitantes da Escandinávia ficarem mais escurinhos."

3Habitação

- André Pestana: diz que um Presidente deve ser capaz de dizer que não é preciso mais armas, mas sim habitação e sugere que "uma fração desse valor anual podia tabelar as rendas [e] os empréstimos à habitação para um esforço máximo de 30% do rendimentos das pessoas".

- André Ventura: quer que sejam retiradas as casas de habitação social a pessoas com cadastro.

- António Filipe: quer uma aposta na habitação pública e acredita que deveria ter havido uma "vigilância maior" do Presidente relativamente a diplomas como o do arrendamento, uma vez há direitos fundamentais, como o da habitação, que estão "claramente postos em causa".

- António José Seguro: diz que "as rendas estão elevadíssimas" e fala numa "geração bloqueada".

- Catarina Martins: vetaria o diploma do pacote de habitação.

- Henrique Gouveia e Melo: defende soluções "modulares" para a habitação e diz que este tipo de construção pode permitir respostas rápidas a custos controlados.

- Humberto Correia: quer a construção de 100 mil habitações sociais por ano. As de 30 m2 seriam arrendadas a €90/mês e as de 50 m2 a €150/mês, seriam destinadas a jovens, mães solteiras e mulheres vítimas de violência doméstica.

- João Cotrim de Figueiredo: quer a construção entre 550 mil a 700 mil fogos.

- Jorge Pinto: promete reunir o Governo e as autarquias para debater o tema da habitação e quer fazer "um inventário completo de todos os edifícios e terrenos públicos que podem servir para criar habitação pública".

- Luís Marques Mendes: diz que a ideia de "acelerar a construção está certa", mas que "como construir leva anos é preciso encontrar uma solução" e salientou que é preciso "mobilizar o mercado de arrendamento" enquanto a construção das casas não está concluída.

- Manuel João Vieira: diz que as reservas de ouro poderiam financiar "um botão para os mais variados problemas: o botão resolve" e que poderia resolver a habitação.

4Defesa

- André Pestana: é contra o reforço do orçamento destinado à defesa e diz até mesmo que não quer nem mais um euro para a NATO. Não apoia o serviço militar obrigatório (SMO).

- André Ventura: quer o SMO, mas considera que "Portugal deve evitar ao máximo ter jovens portugueses" na guerra na Ucrânia. Ademais, considera que Portugal desprezou "durante muitos anos  o investimento na defesa" o que criou uma dependência dos EUA.

- António Filipe: quer os jovens na defesa e mostrou-se contra a aquisição de equipamentos militares.

- Catarina Martins: considera que é preciso reforçar os gastos em defesa, mas considera o investimento de 5,8 mil milhões de euros "desproporcionado" e que devia ser usado em áreas como a saúde e a habitação.

- Henrique Gouveia e Melo: concorda com o envio de militares para a Ucrânia, mas diz que o comando da NATO deve pertencer aos norte-americanos. Sobre o investimento em defesa, acredita que este devia variar entre os 2 e 2,5% do PIB e que a meta de 5% é "exagerado".

- Humberto Correia: diz que Portugal "não pode sair nem da NATO nem da UE" e que a "Europa tem de se unir".

- João Cotrim de Figueiredo: concorda com a presença de Portugal da NATO, mas considera que o mais alto cargo militar da NATO devia ser ocupado por alguém do continente. Sobre a guerra na Ucrânia, defende o envio de militares.

- Luís Marques Mendes: defende que a UE tem de "agarrar esta oportunidade para criar a sua própria autonomia estratégica". Sobre o investimento em defesa diz que não se trata de gastar mais, mas de "gastar melhor" e diz que os gastos devem ser bem explicados. "Para um nórdico ou um báltico, aumentar os gastos em Defesa é completamente óbvio: o inimigo está próximo. Para um cidadão do sul da Europa, tudo é diferente: o inimigo está distante e o risco é reduzido." 

- Manuel João Vieira: diz que Portugal se deve preparar militarmente "de uma forma inteligente" para evitar cenários absurdos, como uma hipotética invasão dos Açores por parte dos EUA. Além disso, defende o desenvolvimento de uma bomba portuguesa: a "bomba V", que diz estar a desenvolver.

5Pacote laboral

- André Pestana: é contra o pacote laboral.

- André Ventura: é acusado pelos seus adversários de ter adotado várias posturas, mas recentemente criticou a lei laboral que diz que "premeia quem não faz nada". Por contrapartida, defende uma "lei laboral moderna" que não seja um "bar aberto" a despedimentos e ataques aos trabalhadores. 

- António Filipe: diz que votar em si é votar contra o pacote laboral.

- António José Seguro: desafiou o Governo a retirar a proposta.

- Catarina Martins: é contra o pacote laboral que diz violar a Constituição. Se este mantiver os termos do anteprojecto aprovado em julho, considera que "um Presidente da República tem de o mandar imediatamente para fiscalização preventiva da constitucionalidade".

- Henrique Gouveia e Melo: diz que não quer "interferir" nas negociações entre sindicatos e o Governo.

- João Cotrim de Figueiredo: acredita que as mudanças "são favoráveis a ambos" [Governo e trabalhadores] e instou o Governo a não desistir da proposta.

- Jorge Pinto: diz que "a primeira coisa que faria era pedir uma verificação destas propostas de alteração" e que caso a Constituição não fosse respeitada vetaria o pacote laboral.

- Luís Marques Mendes: não tem opinião, visto que diz que "um Presidente da República só se pronuncia sobre uma lei quando ela está aprovada", mas defende que todas as partes envolvidas devem ceder.

6Venezuela

- André Pestana: condenou o ataque norte-americano à Venezuela e diz que se tratou de "atropelos atrás de atropelos" ao direito internacional.

- André Ventura: apoiou Trump e sublinhou que "os cravos" não levariam um ditador à justiça. Ao mesmo tempo, defendeu que María Corina Machado devia assumir a lidrança.

- António Filipe: condenou a "brutal violação" do direito internacional.

- António José Seguro: disse que "houve uma violação da carta das Nações Unidas e do direito internacional" e que devia haver uma reunião entre os líderes da NATO e os EUA, uma vez que considera que os norte-americanos devem "esclarecimentos" à aliança. Mostrou-se ainda preocupado com a comunidade portuguesa na Venezuela.

- Catarina Martins: considerou "vergonhosa" a posição do governo português e diz que Portugal "não precisa de ficar à espera da Europa" para condenar a operação.

- Henrique Gouveia e Melo: diz que a ação militar na Venezuela é "ilegítima" e que Portugal deve ter "cautelas" na forma como se posiciona face aos desenvolvimentos naquele país.

- Humberto Correia: afirma que é essencial que o Governo português dê atenção especial á comunidade portuguesa na Venezuela.

- João Cotrim de Figueiredo: diz que se trata de uma "violação grosseira" do direito internacional.

- Jorge Pinto: condenou o que considera ser um "ataque ilegal" à Venezuela e pediu que Portugal, a UE e a NATO não apoiassem essa ação.

- Luís Marques Mendes: não comentou a posição dos EUA, mas diz que "não segue o direito internacional". Sobre a posição da UE, saudou o apelo à transição pacífica na Venezuela.

7Justiça

- André Pestana: considera que o chefe de Estado "tem de tomar partido" nos casos que interferem, por exemplo, com "as condições de trabalho, as condições de vida da maioria da população".

- André Ventura: quer uma reforma na justiça e diz que sem isso o país nunca terá segurança. Além disso, admite "dar poder extraordinário" à polícia e outras autoridades judiciais e administrativas "para combater o crime, para prender quem tem de ser preso e para garantir julgamentos rápidos".

- António Filipe: critica a "falta de recursos humanos e materiais" na Justiça, destacando a morosidade processual e defende maior transparência e clarificação na hierarquia do Ministério Público. Sobre a violência doméstica, diz que há também insuficiência de meios.

- António José Seguro: critica a justiça lenta e diz que é preciso uma reforma nesta área.

- João Cotrim de Figueiredo: diz que a justiça é lenta e defende uma reestruturação desta área. Lamenta ainda a falta de escrutínio no Ministério Público.

- Jorge Pinto: diz que o Presidente da República deve ser firme na defesa da Constituição.

- Luís Marques Mendes: diz que o primeiro Conselho de Estado que convocará será dedicado às reformas no setor da justiça e que é preciso "combater a morosidade da justiça" e as "manobras dilatórias".

- Manuel João Vieira: defende que um Presidente da República deve inscrever "o direito à felicidade" na Constituição da República.

8Salários e pensões

- André Pestana: quer uma "reforma digna" de cerca de mil euros. Se fosse Presidente, queria "acabar com os subsídios milionários de milhões aos partidos".

- André Ventura: coloca as pensões como prioridade. Há muito que pede que cheguem ao valor do salário mínimo.

- António Filipe: diz que os portugueses precisam de uma valorização geral dos salários que ajude a "mitigar uma inaceitável desigualdade na distribuição do rendimento".

- António José Seguro: quer melhores salários e pensões.

- Catarina Martins: quer "salários dignos". Sobre o pacote de apoios apresentado por Montenegro - que contempla o pagamento de meia pensão - afirma que "mudar as regras para cortar o que era o aumento devido das pensões no momento de crescimento económico é estar a assaltar os pensionistas".

- Henrique Gouveia e Melo: não comentou concretamente sobre salários ou pensões, mas num debate disse que as mulheres continuam a ganhar, em média, menos 16% do que os homens, defendendo com isto que a desigualdade "tem de ser revista".

- João Cotrim de Figueiredo: diz que é necessário pôr a economia "a crescer 3%" para pagar melhores pensões e salários e mostrou-se "preocupado com as pensões atuais e as pensões daqui a 20 e 30 anos". Explicou ainda que a função de um Presidente é de sensibilizar para uma reforma na Segurança Social.

- Jorge Pinto: diz que em Portugal os "salários são baixos" e que quer "salários dignos".

- Manuel João Vieira: propôs a "criptonota de Santo António" para substituir o dólar.

9Eutanásia

- André Pestana: defende a legalização da eutanásia.

- André Ventura: defende os referendos sobre a eutanásia, mas defende que os portugueses é que deviam ser chamados a decidir e não a Assembleia da República.

- António Filipe: diz que "se fosse Presidente da República teria promulgado a lei" e que esta não tem de voltar à Presidência da República uma vez que a Assembleia "aprovou a lei legitimamente".

- António José Seguro: é a favor da eutanásia.

- Catarina Martins: em 2020 mostrou-se a favor e em 2023 disse que "poucas coisas me orgulha mais do que ver promulgada a lei da eutanásia".

- Henrique Gouveia e Melo: é contra a eutanásia e diz que se a lei lhe chegar às mãos vai mandar para o Tribunal Constitucional. 

- Jorge Pinto: diz que "as pessoas têm direito à morte médica assistida" e critica o facto de a lei "estar na gaveta" depois de ter sido aprovada pelo Parlamento e promulgada pelo Presidente da República.

- Luís Marques Mendes: diz que enviaria o diploma para o Tribunal Constitucional, ou seja, que não promulgaria a lei sem fiscalização prévia. Afirma ainda que a lei devia voltar ao Parlamento uma vez que considera que é preciso "corrigir" aquilo que considera ser as normas irregulares. À semelhança de Ventura, acredita que esta "é mais uma razão para se dar voz aos portugueses".

- Manuel João Vieira: propôs "uma espécie de prostituta psicóloga em cada esquina" para avaliar o estado psicológico das pessoas. 

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