As sete vidas de Sebastião Bugalho

As sete vidas de Sebastião Bugalho
Alexandre R. Malhado 11 de outubro

Jantava com Ventura, mas os convites vieram do PSD e do CDS. De algum CDS – o outro detesta-o. Combinou almoços com os quase colegas, recuou na hora H. Tem um processo por violência doméstica em curso.

No restaurante Bica do Sapato, em fevereiro de 2018, André Ventura, então recém-eleito vereador do PSD na Câmara de Loures, e Sebastião Bugalho, então jornalista do Sol/i, juntaram-se à mesa de jantar para celebrar o aniversário do amigo João Gomes de Almeida. O momento ficou eternizado numa foto publicada nas redes sociais: “Já estamos a preparar as próximas campanhas eleitorais, mas primeiro vamos tomar uns copos”, escreveu Ventura no Facebook, referindo-se ao aniversariante, que o assessorou durante a campanha.

Aquela não tinha sido a primeira refeição juntos no Bica do Sapato, em Lisboa, onde Bugalho aparece sempre bem composto, de cardigan ou blazer – e meses antes, em pleno fulgor autárquico, a interação entre os três era outra: Gomes de Almeida estava a pedir ao amigo Sebastião Bugalho para entrevistar o candidato social-democrata Ventura. O gancho era a alegada subsidiodependência dos ciganos. “O jornalista acede de imediato. No testemunho de Bugalho, esta disponibilidade não se deveu a nenhum plano político concertado, mas apenas à consciência da potencialidade, em termos de vendas”, lê-se no livro A Nova Direita Anti-Sistema, do investigador Riccardo Marchi. Apesar de Ventura não ter relevância eleitoral então, a entrevista chegou à capa – com a citação “Os ciganos vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado” em destaque – e serviu de arranque mediático para a carreira política do atual líder do Chega.

Três anos depois, Sebastião Bugalho ainda usa blazer – costuma dizer que o pai o proibiu de ir entrevistar alguém mais bem vestido que ele – mas já não é jornalista. Nos seus 25 anos já couberam várias carreiras, com grandes marcos, derrotas pesadas e várias polémicas – e até um processo-crime por violência doméstica em curso. E ao longo dos anos, Bugalho cedo desenvolveu uma rede de fontes (e amizades) no mundo da política que rapidamente criaram oportunidades para outros saltos, outras carreiras. “Gosto de dizer, em tom de brincadeira, que sou o amigo mais novo que ele tem”, afirma à SÁBADO o publicitário Gomes de Almeida, de 34 anos.

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