As reacções políticas ao relatório das secretas sobre Tancos

Leonor Riso , Lusa 23 de setembro de 2017
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Bloco de Esquerda nega conhecer o relatório. CDS-PP critica ministro e PSD lamenta actuação de António Costa


António Costa preferiu não comentar o relatório das secretas militares acerca do roubo de armamento em Tancos, que tece duras críticas ao ministro da Defesa e ao chefe do Estado-Maior do Exército. "Obviamente que não vou tratar assuntos desta relevância no meio de uma campanha eleitoral. A única coisa que queria dizer é que desconheço em absoluto esse relatório", disse o primeiro-ministro em Lagos, durante uma acção de campanha autárquica do PS.
 

"[O incidente mostrou] fragilidade de liderança e capacidade de gestão da crise, quer ao nível militar, quer ao nível político", indica o documento feito em Julho e divulgado pelo semanário Expresso. Quanto a declarações de Azeredo Lopes, o ministro da Defesa, na altura, são consideradas "arriscadas e de intenções duvidosas".

Já o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Rovisco Duarte, é acusado de ter assumido a responsabilidade, sem "ter tirado consequências desse acto".

Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, também não comentou o relatório. "Como compreende eu não posso comentar um relatório que não conheço. O relatório é secreto, é dos serviços de informações, há notícias sobre o relatório, mas nós não conhecemos o relatório. Sobre essa matéria não posso dizer absolutamente nada", respondeu Catarina Martins aos jornalistas durante uma acção de campanha autárquica em Amarante, distrito do Porto. 

O BE continua, de acordo com a líder, "a aguardar esclarecimentos cabais do Governo" e insiste que "todas as consequências devem ser retiradas", até porque "ainda está muito por esclarecer". 

Já Assunção Cristas foi mais longe: "Este relatório vem confirmar aquilo que foi sempre a preocupação e a linha do CDS, quando afirmou que o ministro da Defesa não esteve à altura do seu lugar e das suas responsabilidades." 

Do PSD, reagiu Marco António Costa. O presidente da Comissão de Defesa criticou que, como também indica o Expresso, que António Costa tenha lamentado a forma como "os deputados da comissão iam a reboque de Marco António Costa". "As afirmações do senhor primeiro-ministro na reunião do grupo parlamentar do PS, relatadas no Expresso, a serem verdade, são de uma enorme gravidade institucional e revelam uma vontade do Governo em obstruir o trabalho de fiscalização do Parlamento", considerou o social-democrata.

"Parece evidente que o sr. primeiro-ministro, com tais afirmações, parece que defende uma estratégia de ocultação de informação ao Parlamento e com isso impedir que este cumpra a sua obrigação de apurar politicamente como foi possível um tão grave furto de armas", disse. 

O líder do PSD acusou o Governo de "tiques de autoritarismo" por ocultar ao parlamento informações sobre o furto de material de guerra em Tancos e questionou se o Presidente da República está a par do relatório hoje divulgado. "Não sei se o senhor Presidente da República está a par do que se passa, mas o parlamento não sabe de nada, temos de comprar o Expresso ao sábado para saber o que se passa com o Orçamento, para saber o que passa com os paióis militares, para termos as notícias que o Governo tem a obrigação de prestar ao parlamento?", questionou Passos Coelho.

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