Depois de uma campanha de crowdfunding, o documentário Alcindo vai entrar em breve em pós-produção. Promete revisitar a noite do assassinato de Alcindo e relacioná-la com casos como o de Cláudia Simões ou Bruno Candé.
Alcindo Monteiro e a história recente do racismo português vão ter um documentário
Há 26 anos, o 10 de Junho ganhou um novo significado. Não por acaso, o dia que na agenda salazarista era o da raça foi a noite de uma das mortes que mais comoção gerou nos anos 1990 portugueses, que se tornou um símbolo dos movimentos anti-racistas e anti-fascistas, uma memória coletiva por desbravar. Alcindo Monteiro, de 27 anos, foi agredido e assassinado por um grupo de skinheads junto ao Bairro Alto. Alcindo é o documentário que relata os acontecimentos dessa noite e quer perceber que contexto tem o racismo em Portugal, até aos dias de hoje. Em 10 dias, angariou 10 mil euros num crowdfunding e agenda a estreia para outubro.
Miguel Dores, estudante do mestrado em Antropologia Visual da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, começou o trabalho para o documentário Alcindo em 2019. Era a atualidade que o pedia: o ano começava com Mário Machado, um dos condenados pelas agressões a dez jovens negros da noite de 10 de junho de 1995, a ser entrevistado num programa da manhã por Manuel Luís Goucha; mais tarde André Ventura foi eleito deputado e "sentimos uma pauta neo-populista, cheia de racismo vinculado no discurso da subsidiodependência", recorda Miguel Dores. O ano foi ainda marcado pelos casos do Bairro da Jamaica e pelo assassinato de Luís Giovanni Rodrigues.
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