A história é no mínimo aterradora. Um homem, que foi confrontado com um pedido de divórcio, decidiu estrangular, agredir e assassinar a mulher com uma serra tico-tico, uma faca, uma tesoura. Em tribunal alegou "legítima defesa" mas acabou condenado a prisão perpétua.
Um homem assassinou a mulher - uma antiga finalista do concurso Miss Suíça - esquartejou o corpo e colocou-o num liquidificador. O assassinato ocorreu em fevereiro de 2024 na Suíça e, na altura, os restos mortais de Kristina Joksimovic, de 38 anos, foram encontrados pelo pai, que ficou naturalmente horrorizado com a situação. Foi agora condenado a prisão perpétua.
Homem colocou esposa, candidata a Miss Suíça, num liquidificador e foi condenado a prisão perpétua Swen Pförtner/picture-alliance/dpa/AP Images
O caso foi noticiado um pouco por todo o mundo e o julgamento aconteceu à porta-fechada. Mesmo a imprensa só pôde acompanhar o desenrolar do processo num tribunal adjacente.
Em tribunal, Marc Rieben afirmou que "amava" Kristina e que a sua morte foi "um acidente", embora tenha admitido tê-la agarrado pelo pescoço. A procuradoria pediu logo prisão perpétua para o suspeito, mas a defesa argumentou que o homem, de 43 anos, devia receber no máximo três anos de prisão por "legítima defesa excessiva", isto porque o agressor afirmou que a esposa o havia ameaçado com uma faca durante a disputa pelo divórcio.
Os procuradores classificaram, no entanto, estas declarações como falsas e, durante o julgamento, o procurador afirmou, com base em evidências médico-legais, que "nunca houve um ataque com faca" e que o ferimento do lado direito da mandíbula de Rieben não foi causado por um instrumento de cozinha, segundo detalha o jornal 20 minuten.
"Causei um sofrimento imensurável à minha família. Porquê? Por que falhei? Por que não o consegui impedir? Por que não consegui evitar que ela morresse pelas minhas mãos? Eu amava a minha esposa com todo o meu coração e acreditava num futuro juntos", disse. "Isso atormenta-me dia e noite. O que fiz é absolutamente imperdoável e assumo total responsabilidade. Lamento profundamente e peço desculpas."
Marc Rieben, pai de duas crianças, acabou por ser condenado a prisão perpétua e obrigado a pagar 100 mil francos suíços de indemnização às duas filhas, de cinco e seis anos, além de 120 mil francos suíços ao pai de Kristina, 100 mil à mãe e 60 mil francos à irmã.
O caso
No tribunal, os procuradores alegaram que o empresário agarrou a esposa pelo pescoço, empurrou-a contra a parede e estrangulou-a, usando algo semelhante a uma fita. Durante o estrangulamento, a mulher recebeu ainda socos e pontapés por parte de Rieben "de forma perfídia, cruel e a sangue frio", causando uma morte "agonizante" à vítima, acrescentaram os procuradores.
O agressor desfez-se depois do corpo na lavandaria da casa do casal. Para isso, utilizou uma serra tico-tico, uma tesoura de jardim, uma faca, dez litros de lixívia e, por fim, um liquidificador.
Já depois de ter desmembrado o corpo, Rieben removeu o útero: a forma arrepiante como o homem se desfez do corpo fez até com que fosse também acusado de profanação de cadáver. E depois disso, levou tranquilamente as filhas a jantar fora. "O comportamento do homem após o crime foi de uma crueldade e absurdo quase inacreditáveis", criticou o procurador.
Os restos mortais acabaram por ser descobertos pelo pai de Kristina que, depois de a filha não ter atendido as suas chamadas, decidiu dirigir-se até à casa do casal. À chegada, o homem ficou horrorizado ao deparar-se com o corpo desmembrado.
Agressor estudou formas de desmembrar o corpo
O procuradores acreditam que Kristina foi assassinada depois de ter pedido o divórcio e de Rieben ter recusado. Alegam ainda que o homem terá estudado formas para desmembrar o corpo da mulher ao utilizar o programa Atlas de Anatonomia Humana.
Os procuradores descreveram que o agressor agiu "consciente e intencionalmente, com plena consciência e com uma atitude e mentalidade egoísta, caraterizadas pela necessidade (...) de controlo, ressentimento, vingança e raiva imensa". Enquanto isso, o professor Frank Urbaniok, nomeado pelo tribunal, declarou ter diagnosticado o agressor com traços narcisistas e transtorno obsessivo-compulsivo
"Trabalho como perito judicial há 33 anos e supervisionei cinco mil casos. Já vi muitas pessoas cometerem homicídios contra os parceiros íntimos. Mas nunca vi nada parecido com isto", garantiu.
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