O tempo médio entre a descoberta de uma vulnerabilidade e a sua exploração caiu drasticamente, em muitos casos, para menos de 48 horas.
Durante anos, o discurso sobre
cibersegurança foi relativamente estável: as ameaças existiam, mas estavam, na
sua maioria, associadas a grupos organizados, com elevado nível técnico e
recursos consideráveis. Isso mudou, e mudou demasiado rápido.
Os dados mais recentes divulgados
pela Fortinet mostram
um crescimento de 389% no número de vítimas de ransomware num único ano. Um
salto desta dimensão não é apenas estatística: é um sinal claro de que o
paradigma do cibercrime entrou numa nova fase. A razão? Inteligência Artificial
(IA).
Ferramentas baseadas em IA estão
a tornar os ataques mais acessíveis, mais rápidos e, sobretudo, mais
escaláveis. O que antes exigia conhecimento técnico aprofundado, hoje pode ser
executado com recurso a plataformas que automatizam processos de ataque, desde
a criação de campanhas de phishing altamente credíveis até à exploração de
vulnerabilidades em tempo recorde.
O impacto desta transformação é
profundo. O tempo médio entre a descoberta de uma vulnerabilidade e a sua
exploração caiu drasticamente, em muitos casos, para menos de 48 horas. Na
prática, isto significa que o modelo tradicional de “detetar e corrigir com
tempo” deixou de ser suficiente. Quando uma empresa reage, muitas vezes já é
tarde.
Mas talvez o dado mais relevante
não esteja no número de ataques, mas sim na forma como estes acontecem. O foco
deixou de estar exclusivamente na infraestrutura tecnológica e passou para algo
muito mais vulnerável: a identidade.
Credenciais comprometidas,
acessos mal geridos e falhas na autenticação são hoje portas de entrada
privilegiadas. E com o apoio da IA, os atacantes conseguem simular
comportamentos humanos com uma precisão cada vez maior, tornando os ataques
mais difíceis de identificar e travar. Este novo contexto levanta uma questão
inevitável: estarão as empresas, especialmente as pequenas e médias, preparadas
para esta realidade? A resposta, na maioria dos casos, é não.
Muitas organizações continuam a
olhar para a cibersegurança como um custo técnico e não como um risco de
negócio. Investem em soluções reativas, quando o problema exige uma abordagem
contínua, integrada e, acima de tudo, proativa. A verdade é simples: a
inteligência artificial não está apenas a transformar empresas, está também a
nivelar o campo de jogo para os atacantes. E quando qualquer pessoa pode lançar
um ataque sofisticado com recurso a ferramentas acessíveis, o risco deixa de
ser excecional para passar a ser estrutural.
Neste cenário, a questão já não é
“se” uma empresa será alvo de um ataque, mas “quando”, e, mais importante, com
que capacidade está preparada para responder. Porque, no final, a diferença
entre um incidente controlado e um problema crítico raramente está na
tecnologia utilizada, mas sim na forma como esta é gerida.
E isso continua a ser, mais do
que nunca, uma decisão estratégica.
“A princípio era o futebol americano, coisa bruta mas séria. / Uma máquina colocada nas salas de famílias sensatas e inteiras, / nos bares e nas montras de algumas lojas, a televisão. / Nada na nação americana, dois metros de cérebro acima / do território, está imune ou indiferente ao jogo decisivo em direto”
A SÁBADO tem um número especial sobre o bicentenário da declaração de independência. Há festa e reflexão na América, há muito para ler nas páginas desta edição.
O “país excecional e indispensável” chega aos 250 anos com um Presidente que promoveu um ataque ao Capitólio. Não, não é um detalhe passageiro. Provavelmente, acabará mal.
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As democracias liberais em que vivemos são americanas na origem. O que hoje nos parece incontornável e banal - a separação de poderes, a protecção de direitos individuais contra o arbítrio do Estado, a liberdade de expressão, a legitimidade do poder assente no consentimento dos governados - foi forjado em 1776 e nos anos que se seguiram
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