Vírus da covid-19 poderá "nunca vir a desaparecer", diz OMS

Lusa 14 de maio de 2020
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O novo coronavírus pode tornar-se apenas outro vírus endémico, como o VIH, e nunca desaparecer, explicou um especialista da Organização Mundial da Saúde.

Michael Ryan, o diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) avisou na quarta-feira, em conferência de imprensa, que é difícil prever até quando o vírus da covid-19 vai existir, acrescentando que se pode mesmo tornar endémico e nunca mais desaparecer, como aliás aconteceu com a sida.

coronavirus covid belgica
coronavirus covid belgica REUTERS/Francois Lenoir
"É importante colocar isto em cima da mesa: este vírus pode tornar-se outro vírus endémico nas nossas sociedades, e pode nunca vir a desaparecer", disse Michael Ryan, alertando que não deve haver "promessas nem datas".

"O VIH não desapareceu, mas conseguimos enfrentar o vírus", acrescentou.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, salientou que a saúde não pode ser transformada em arma e fez um minuto de silêncio pelos profissionais do setor que morrem "para salvar vidas".

O alerta foi deixado um dia depois do Dia Internacional do Enfermeiro, mas também de um ataque a um hospital da organização Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão, que matou mais de duas dezenas de pessoas, incluindo crianças e enfermeiras.

Numa conferência de imprensa ‘online’ na sede da organização, em Genebra, Tedros Ghebreyesus afirmou que ficou chocado e muito triste com a notícia do ataque e acrescentou que os profissionais de saúde, e os civis, nunca deviam ser um alvo e que o mundo precisa de paz para a saúde e de saúde para a paz.

"Num momento de pandemia global peço a todos que deixem a política de lado e deem prioridade à paz, e que haja um cessar fogo global para terminar com a pandemia. A cada dia sem um cessar fogo há mais pessoas a morrer de forma desnecessária", alertou na conferência de imprensa, destinada a dar conta da evolução do novo coronavírus, que provoca a doença covid-19.

Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou para a vulnerabilidade das pessoas detidas face à covid-19 e lembrou também as últimas estatísticas mundiais para dizer que se por um lado hoje as pessoas vivem mais anos e com mais saúde, uma evolução especialmente em países pobres, por outro a taxa de progresso é muito lenta, com a covid-19 a piorar a situação. 

Entre outros exemplos questionou como é que em 2020 em cerca de 55% dos países há 40 profissionais de enfermagem e obstetrícia para cada 10 mil pessoas.

E sobre a Assembleia-Geral da OMS, da próxima semana, disse que é uma oportunidade para todos os países se unirem para combater o novo coronavírus e provarem que o mundo é mais do que um grupo de países com bandeiras coloridas.

Na conferência de imprensa, Michael Ryan, disse que em abril foram registados 35 ataques a profissionais de saúde em 11 países, alguns deles não resultantes de situações de guerra, mas da parte de pessoas assustadas com a situação provocada pela covid-19.

Questionado pelos jornalistas, Michael Ryan disse que até ser retirada a declaração de pandemia em relação ao novo coronavírus "há muito caminho pela frente".

"Os países estão agora a tentar encontrar uma nova normalidade e vamos estar assim muito tempo", avisou, acrescentando que mesmo que a OMS reduzisse o nível de alerta a verdade é que o risco continua elevado em todo o mundo.

"A nossa recomendação é que todos os países devem manter o nível de alarme mais alto, e que todas as medidas tomadas sejam graduais", disse Tedros Ghebreyesus.

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