Para prestar aconselhamento no combate a drones iranianos.
A Ucrânia e o Qatar assinaram este sábado um acordo de segurança, através do qual Kiev se compromete, tal como fez com a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU), a prestar aconselhamento no combate a drones iranianos.
Volodymyr Zelensky, presidente da UcrâniaAP
O acordo foi assinado pelos respetivos chefes do Estado-Maior da Ucrânia e do Qatar, Andri Hnatov e Jassim bin Mohamed al-Mannai, à margem da visita que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, realiza hoje ao Qatar, depois de visitas com idênticos objetivos a Riade e a Abu Dhabi.
"O acordo prevê colaboração no domínio tecnológico, o desenvolvimento de projetos conjuntos, investimentos em defesa e a troca de conhecimentos especializados no combate a mísseis e sistemas aéreos não tripulados", explicou o Ministério da Defesa do Qatar em comunicado.
Zelensky foi recebido pelo emir Tamim bin Hamad al-Thani, com quem manteve um encontro no palácio real de Lusail para discutir a guerra com o Irão e as formas de o Qatar aproveitar a experiência ucraniana no combate a drones russos durante a guerra na Ucrânia.
"O Presidente ucraniano reiterou a solidariedade do seu país com o Qatar, condenando a agressão iraniana e reafirmando o apoio da Ucrânia às medidas adotadas por Doha para proteger a sua soberania, segurança e a dos seus cidadãos", indicou o Governo qatari ao descrever a reunião.
Os dois dirigentes manifestaram preocupação "com as repercussões da contínua escalada na segurança regional e internacional", sublinhando a importância de intensificar os esforços regionais e internacionais para reduzir as tensões e conter a situação atual.
"Destacaram igualmente a necessidade de recorrer à via diplomática para contribuir para o reforço da paz e da segurança internacionais face aos desafios de um sistema internacional em rápida evolução", acrescentou.
Mais cedo, em Abu Dhabi, Zelensky anunciou idêntico acordo com os Emirados, que diz respeito à área da defesa e segurança, no contexto dos ataques de drones iranianos a várias regiões do Médio Oriente.
A visita surpresa de Zelensky aos Emirados ocorreu um dia depois do anúncio de um primeiro acordo de defesa entre a Ucrânia e a Arábia Saudita, assinado na sequência dos ataques com drones e mísseis iranianos lançados por Teerão em retaliação às ofensivas conjuntas dos EUA e Israel contra o Irão, iniciadas a 28 de fevereiro.
Kiev procura aproveitar a sua experiência na destruição de drones russos para ajudar os países do Golfo e enviou especialistas em defesa anti-drones para a região, nomeadamente para os Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
Zelensky indicou nas redes sociais que se reuniu com o Presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed al-Nahyane, e que os dois líderes "concordaram em cooperar na área da segurança e da defesa".
"As nossas equipas irão finalizar os pormenores. Para todos os Estados normais, é importante garantir estabilidade e proteger vidas face às ameaças atuais. A Ucrânia dispõe de experiência relevante nesta área", acrescentou, sublinhando que Kiev considera os seus sistemas de defesa anti-drones como "os melhores do mundo".
Kiev propôs trocar os seus intercetores de drones por mísseis de defesa antiaérea, muito mais caros, que os países do Golfo utilizam para abater os drones iranianos.
A Ucrânia afirmou necessitar de mais destes mísseis para contrariar os ataques quase diários de mísseis da Rússia, que ataca a Ucrânia desde o início de 2022.
"A proteção deve ser suficiente em todo o lado. É por isso que estamos abertos a uma colaboração que, numa perspetiva estratégica, fortalecerá certamente os nossos povos e a proteção da vida nos nossos países", acrescentou hoje Zelensky.
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