Dirigente político que despreze a ausência de Pedro Santa Lopes no partido precisa de ir ao oftalmologista.
Há por aí chamadas de artigos com letras gordissimas a sublinhar o facto de Pedro Santana Lopes não ter pedido desculpas por voltar à militância. Consideram, portanto, que o homem não reconheceu a falha. Qual falha, rapazes?
Não pediu desculpa, e não tinha que o fazer. Quem pede desculpa expressa arrependimento e assume a responsabilidade por um erro ou comportamento que magoou alguém. O dicionário não brinca. Santana Lopes, Pedro, reentrou no partido social democrata com um discurso que lhe encaixa como luva de seda na mão seca. Não está arrependido do adeus de 2018. A consciência , quando limpinha, é um assertivo guia. Esteve fora do cosmos laranja desde a era, felizmente ida, de Rui Rio. Fundou um partido que se partiu alto a baixo. A popularidade, essa, intocável. Ganhou a câmara da Figueira da Foz sem ajuda partidária. Aliás, sem qualquer ajuda. Foi por Pedro Santana Lopes, só por Pedro Santana Lopes, que os figueirenses deram vitória.
No 43 congresso social democrata, na recente noitada em Sangalhos, e ele que já esteve no trono das noitadas, o que disse requer moldura. Desgosta de falar do passado, embora presente isolado corra riscos. Cumprimentos e abraços, e recados diretos para os companheiros que deixaram de atender o telefone em algumas fases da senda política. Santana Lopes assumiu o que poucos conseguem, que é regressar à casa de partida sem olhar para o tapete. Humanizar a política, trazê-la para a vida real, a vida desmaquilhada, sabendo-a feita de ventanias, períodos, acordos e desacordos, saídas com ramais de encontros e desencontros. O hábito é sair e repetir o mesmo que disse Vasco Santana a Beatriz Costa, na Canção de Lisboa: para nunca mais voltar. Nunca mais é muito tempo e o tempo não é uma linha reta ou um aliado paciente, mas uma força implacável. Cazuza é que sabia. Vestir a camisola no plural, e de cor diferente, é a broa dos dias. Conhece-se gente que milagrosamente não se constipa não obstante tanta troca.
Luís Montenegro fez bem chamar Santana Lopes. O desvio feito para ir à Figueira da Foz, no dia seguinte à pintura do seu rosto estar como garantida na parede de são Caetano, arrisca-se a ser a única ação louvável que lhe conheçamos. Dirigente político que despreze a ausência de Pedro Santa Lopes no partido precisa de ir ao oftalmologista. Não vê ao longe, nem ao perto. Com os violinos nunca compostos por Chopin ou Wohltemperierte Preludium” de Bach pronunciado em alemão arcaico, cada um tem a sua cova. António Guterres, então primeiro-ministro, desconhecia o PIB e mandou-nos fazer as contas.
É este tipo de moralidade que contestou a participação de Israel na Eurovisão e apelou à humilhação com a pontuação zero. A sua voz não teve eco nenhum. Noam Bettan ficou em segundo lugar e em primeiro a cantora búlgara, que apoiou Israel. Portugal deu pontuação máxima a Israel. Embrulha. É um bofetão para aqueles que se julgam proprietários da razão.
O cantor diz o que dizem acéfalos, depois pede desculpas, volta a dizer o mesmo estrume, e continua a produzir conteúdos que envergonham a civilização. Declarou-se nazi, Hitler é, para o asno, o maior, as consequências dos seus gostos é conhecida: foi corrido do YouTube, Spotify, redes sociais, a Adidas cortou contrato.
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