Várias empresas de IA têm apelado a um abrandamento do desenvolvimento da tecnologia, alegadamente em prol da segurança da humanidade.
O presidente norte-americano rejeitou os apelos para um abrandamento no desenvolvimento da inteligência artificial (IA), denunciando uma "conspiração doentia" que considera poder beneficiar a China. A China é também da opinião que seria irresponsável no plano global abrandar o avanço da IA.
Trump e Xi Jinping encaram a corrida à IAMark Schiefelbein / AP
"O único controlo ou 'salvaguarda' de que a IA precisa é um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (QI elevado!), e os Estados Unidos têm isso de sobra", escreveu Trump na rede social Truth Social.
O chefe de Estado norte-americano tem rejeitado nos últimos dias os alertas de responsáveis do setor tecnológico sobre os riscos associados ao rápido desenvolvimento da IA, argumentando que uma regulamentação excessiva nos Estados Unidos daria vantagem a Pequim.
"Está em curso uma CONSPIRAÇÃO DOENTIA contra a IA e os centros de dados, e a única que beneficia com isso é a China", afirmou Trump. "QUEM VENCE A CORRIDA DA IA, VENCE! Estamos à frente da China e de todos os outros, e assim continuaremos", acrescentou Trump, que dirigiu ainda críticas aos "teóricos da conspiração", "traidores" e responsáveis por fugas de informação para a imprensa.
O Presidente norte-americano atacou também o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, que no sábado defendeu um abrandamento do desenvolvimento da tecnologia devido aos riscos colocados por modelos de IA que possam evoluir sem controlo humano.
“Esta ‘Guerra Fria silenciosa da IA’ é hipócrita e míope”, declarou o governo chinês. Para Pequim, excluir a China da inovação global em matéria de IA “aumentaria significativamente os custos de tentativa e erro e os riscos de perda de controlo no desenvolvimento global da IA”. “É uma tentativa de travar o desenvolvimento de IA da China através de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, manter a hegemonia monopolista de Washington no domínio da tecnologia de ponta e excluir a China do sistema global de governação da IA”, disse o governo chinês no editorial.
"A administração Trump impediu o 'pessoal' da IA de fazer 'coisas' más, ou potencialmente más, como Dario (da Anthropic!), que agora finge ser um 'anjinho perfeito'", escreveu Trump.
A posição de Amodei sobre a necessidade de travar o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados é também apoiada pelo presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e pelo empresário Elon Musk.
Amodei alertou no sábado para a possibilidade de grupos de agentes de IA adquirirem capacidades suficientes para assumir o controlo de partes significativas da Internet.
"Temo que, num prazo de seis a 12 meses, um grupo [de agentes de IA] seja capaz de assumir o controlo de toda a Internet", afirmou Amodei, estimando que um cenário deste tipo poderia provocar "centenas de milhares de milhões de dólares em prejuízos".
Trump reconheceu no domingo ter ouvido diretamente de representantes do setor tecnológico, na semana anterior, preocupações sobre as ameaças que a inteligência artificial poderá representar.
Questionado por jornalistas sobre se estava a minimizar esses receios, respondeu: "Não, não as minimizamos, mas, sabe, haverá muito mais benefícios do que prejuízos".
Com Lusa
Trump e China unidos na rejeição ao travão à IA: "Quem vence a corrida da IA, vence!"
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