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Mãe condenada a pena de prisão após deixar filho de 5 anos ir a um lago recolher penas de ganso sozinho

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Karyann Parkinson autorizou a criança a percorrer os cerca de 800 metros mas pouco depois recebeu a visita de um segurança.

Uma mulher acabou por ser condenada a 6 meses de prisão, com pena suspensa, por ter deixado o filho de 5 anos percorrer cerca de 800 metros para recolher penas de ganso junto a um lago, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Um processo com contornos algo kafkianos que Karyann Parkinson, uma advogada estagiária, dificilmente esquecerá.

Polícia bateu à porta de Karyann Parkinson
Polícia bateu à porta de Karyann Parkinson AP

Tudo aconteceu a 5 de junho deste ano, quando Karyann estava grávida, a poucos dias do nascimento do seu quinto filho. Ela e Sam, de 5 anos, acabavam de chegar a casa de uma caminhada matinal, tendo passado pelas belas casas do seu condomínio, por um campo de golfe e um lago de gansos. 

"Os gansos estavam numa fase de troca de penas e o Sam recolhia todas as que conseguia encontrar. Depois, voltou a correr para casa de bicicleta, guardou a mochila e perguntou se podia voltar ao lago - a cerca de 800 metros de distância - para recolher mais penas.” A mãe concordou, advertindo-o para voltar assim que terminasse. E entrou em casa para preparar o almoço.

A família vive num condomínio com segurança, por isso a mãe, de 36 anos, não ficou preocupada. O menino sabia nadar e já tinha percorrido aquele trajeto muitas vezes. Considera-se uma mãe que "dá liberdade aos filhos". O mais velho, de 12 anos, pedalava 6 quilómetros e meio aos 10 anos para chegar à escola. 

Só que uns 20 minutos depois da saída de Sam, um segurança bateu-lhe à porta com o filho pela mão. Um vizinho tinha visto o menino sozinho e tinha dado o alerta. "Ele disse-me que o Sam não podia andar sozinho", relatou a mãe ao The Times. Karyann Parkinson contrapôs que essa regra não constava no regulamento da associação de moradores, o segurança respondeu que era contra a lei e ameaçou chamar a polícia.

A mãe argumentou que a lei permite que as crianças fiquem ao ar livre sem supervisão se a atividade for “apropriada para a idade” e não “gravemente negligente” - como brincar na rua ou ir e voltar de locais próximos a pé ou de bicicleta -, acrescentando acreditar que Sam era mais do que capaz de ir a pé até o lago. À criança o segurança tinha dito que havia pessoas más na vizinhança que lhe podiam fazer mal.

Dez minutos depois voltam a bater à porta de Karyann, mas agora era a polícia. Furiosa, disse ao agente que não queria conversar, ele ameaçou chamar as autoridades de proteção de menores (equivalente à CPCJ) e ela respondeu-lhe "tudo bem". E fechou a porta. Meses mais tarde arrependeu-se dessa reação...

Depois de Karyann Parkinson e o marido terem recusado que as autoridades revistassem a casa e recolhessem dados sobre os restantes filhos, a polícia voltou à residência da família a 18 de julho, cinco dias antes do parto, com um mandado de prisão acusando-a de "contribuir para a delinquência de um menor". Podia ser condenada a 12 meses de prisão e ao pagamento de uma multa de 2.500 dólares.

“Estava extremamente animada para ter meu bebé e, de repente, tudo parou bruscamente, senti-me muito insegura em relação ao nascimento do meu filho”, reconheceu a mulher ao The Times, contando que tinha medo de ser presa e não conseguir amamentar o recém-nascido. “Sentia-me envergonhada, como se tudo isto fosse culpa minha."

Temeu que lhe retirassem os filhos e Sam não voltou a sair sozinho. A criança sentia que havia perigo à sua volta e perguntava à mãe "onde estão as pessoas más?"

A 23 de julho o Serviço de Proteção à Criança informou a mãe que a alegação de que o filho tinha sido negligenciado sem supervisão era “fundamentada” e que os nomes dela e de Sam seriam incluídos no Registo de Abuso e Negligência da Virgínia durante sete anos. Isto significa que não poderá ser voluntária na escola dos filhos nem aceitar determinados empregos. "Fiquei genuinamente chocada”, admitiu Karyann.

No mês passado compareceu perante um juiz, determinada a dar luta, e até convidou seis dos seus professores da Faculdade de Direito a estarem na audiência. "Vi-me a entrar naquele julgamento de cabeça erguida, confiante e feliz por poder explicar quem sou e no que acredito”, explicou a mãe.

Mas o juiz considerou-a culpada de contribuir para a delinquência de um menor, o que inclui qualquer ato que “torne uma criança negligenciada”. Acabou por ser condenada a seis meses de prisão, com pena suspensa.

“Foi devastador”, admitiu a mulher, que recorreu da condenação criminal, estando previsto um julgamento com júri em fevereiro. "Já é difícil o suficiente para uma mãe pensar 'será que meu filho está pronto?' Agora é preciso acrescentar 'será que alguém vai achar que meu filho está pronto?'”

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