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Médio Oriente: 176 ativistas da flotilha para Gaza desembarcaram em Creta

Lusa 01 de maio de 2026 às 21:45
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Das 176 pessoas que chegaram a Creta, 31 foram transferidas para um hospital, onde receberam primeiros socorros, e as restantes para o aeroporto internacional de Heraclião para serem repatriadas.

Cento e setenta e seis ativistas da Flotilha 'Global Sumud' desembarcaram esta sexta-feira em Creta, na Grécia, depois de detidos ao largo de Creta pelo exército israelita durante uma viagem com destino a Gaza.

Membros de um barco de flotilha com as mãos no ar enquanto forças israelitas interceptaram activistas
Membros de um barco de flotilha com as mãos no ar enquanto forças israelitas interceptaram activistas AP/Global Sumud Flotilla

Os ativistas foram detidos na quinta-feira a bordo de cerca de duas dezenas de embarcações que navegavam em águas internacionais e muito afastadas das costas israelitas, tendo sido conduzidos para a ilha grega na sequência de um acordo entre Israel e a Grécia, segundo a informação divulgada esta sexta-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) grego.

Das 176 pessoas que chegaram a Creta, 31 foram transferidas para receberem primeiros socorros num hospital de uma cidade cretense próxima do porto de Atherinolakkos, onde os ativistas desembarcaram. Os restantes ativistas foram transferidos para o aeroporto internacional de Heraclião, a capital de Creta, para serem repatriados, refere, no comunicado, o MNE grego. As autoridades não deram quaisquer outros detalhes sobre o estado de saúde dos ativistas que deram entrada no hospital, nem informações sobre a sua nacionalidade.

O desembarque foi coordenado pelo MNE grego, pela guarda costeira, pelo Estado-Maior do Exército Grego e pelo município de Creta, tendo ocorrido "em condições particularmente difíceis" para garantir a "segurança e proteção" dos envolvidos. Escoltados pela guarda costeira grega, os ativistas, na sua maioria cidadãos de países europeus, foram posteriormente conduzidos a bordo de quatro autocarros, constatou um jornalista da AFP no local.

Ao aproximarem-se do porto cretense, os ativistas entoaram, em inglês, a expressão "Palestina livre!".

Segundo o porta-voz do MNE israelita, Oren Marmorstein, "todos os ativistas da flotilha encontram-se agora na Grécia, com exceção de Saif Abu Keshek e Thiago Ávila". O MNE de Israel acusa Saif Abu Keshek de "pertencer a uma organização terrorista" e o ativista brasileiro Thiago Ávila de realizar "atividades ilegais", e indicou que os dois "serão transferidos para Israel para serem interrogados", segundo uma informação publicada na conta na rede social X (antigo Twitter).

O Governo espanhol exigiu a libertação imediata do ativista espanhol Saif Abu Keshek.

Na noite de quarta para quinta-feira, Israel afirmou que 175 ativistas (211 segundo os organizadores da frota) em cerca de vinte embarcações tinham sido detidos ao largo de Creta, no Mediterrâneo Oriental, e estavam a caminho de Israel. Numa conferência de imprensa online realizada na quinta-feira, os organizadores da flotilha afirmaram que vários das suas embarcações foram intercetados em águas internacionais, a uma distância "sem precedentes" de Israel, e que "211 pessoas tinham sido sequestradas".

A secção grega da organização não-governamental MarchToGaza, que participa na fllotilha, disse que a detenção foi ilegal e acusou o Governo grego de encobrir "uma operação internacional de sequestro de cidadãos de países terceiros" e de consentir "violações flagrantes do direito internacional humanitário e do direito do mar". O Governo grego disse, na quinta-feira, que a interceção israelita ocorreu em águas internacionais a noroeste de Creta, onde a Grécia não tem o direito de intervir.

Vários Estados, cujos cidadãos se encontram entre as pessoas detidas, reagiram, com a Itália a solicitar nomeadamente a sua libertação, enquanto Espanha, Turquia e Paquistão denunciaram "violações flagrantes do direito internacional" por parte de Israel. 

Pelo menos três portugueses participam na flotilha, avançou na quinta-feira o Governo de Portugal, adiantando aguardar que Israel confirme se estavam entre os detidos na interceção de alguns barcos realizada quarta-feira à noite. O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, disse na quinta-feira que o embaixador israelita foi chamado para dar explicações sobre a detenção de ativistas pró-palestinianos, garantindo que as autoridades consulares estão preparadas para acolher os portugueses, na Grécia ou em Israel.

Composta inicialmente por mais de 50 embarcações, a frota tinha como objetivo, segundo os organizadores, quebrar o bloqueio da Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária ao território palestiniano, cujo acesso continua amplamente restrito, apesar de um cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas, em vigor desde outubro.

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