Livro de Obama grátis com a SÁBADO: o trabalho nos bairros pobres de Chicago

Livro de Obama grátis com a SÁBADO: o trabalho nos bairros pobres de Chicago
Carlos Torres 03 de março de 2021
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No segundo volume da sua autobiografia, Barack Obama conta como foi trabalhar nos bairros sociais da cidade (entre 1985 e 1988), fala do combate à pobreza cíclica dos negros, revela como ajudou mães adolescentes e explica como salvou os jovens que eram atraídos pelos gangues.

Não há Michelle (só viria a conhecê-la em 1989), mas há uma surpreendente referência a uma anterior namorada de Barack Obama. Em conversa com a meia-irmã Auma (nascida no Quénia antes de o pai ir estudar para os EUA), que estudava na Alemanha e fora visitá-lo a Chicago, ele conta: "Havia uma mulher em Nova Iorque que eu amava. Era branca. Tinha cabelo preto e centelhas verdes nos olhos. A sua voz parecia um carrilhão".

Ela era rica e de uma família cheia de história, com ligações a Presidentes, diplomatas e industriais, e ele percebeu que os seus dois mundos não iriam funcionar. Quando se separaram, ela disse-lhe, a chorar, que "não podia ser negra", apenas ela própria.

Esta visita de Auma serviu ainda para Barack perceber que o pai (com quem viveu apenas até aos 3 anos) não era o herói que ele pensava. Regressara ao Quénia (depois de seis anos nos EUA) com Ruth, uma professora americana branca (com quem teve dois filhos), tendo caído em desgraça por criticar as divisões entre tribos no país e a forma como "as pessoas com habilitações ficaram com os melhores empregos". Visto como inimigo pelo Presidente Kenyatta, foi afastado do Governo e impedido de sair do país. Começou a beber, teve um grave acidente de carro e sentiu dificuldades financeiras (morreu num desastre, em 1982, tinha 46 anos).

Este capítulo, com revelações familiares, é um dos mais interessantes do segundo volume de Sonhos do Meu Pai, A História da Minha Família, que sai gratuitamente com a SÁBADO de 4 de março. A biografia de Barack Obama, escrita por ele no início da década de 90 (ainda antes de se dedicar à política - viria a ser Presidente dos EUA de 2009 a 2017), ficará completa com o 3º volume, que sai com a SÁBADO de 11 de março.

No segundo volume, Obama fala essencialmente dos três anos (1985-1988) em que esteve em Chicago como animador social, trabalhando no Projecto Comunidades em Desenvolvimento, de apoio a bairros sociais e com ligação a várias paróquias católicas.

Obama percebeu aí as dificuldades em desenvolver programas de apoio às comunidades numa cidade polarizada e "cheia de segregação e tensão racial", que elegera há pouco o primeiro presidente da Câmara negro (Harold Washington) - Barack colecionou desaires nos primeiros meses, da luta contra os gangues aos apoios das igrejas.

O jovem Obama, que chegou cheio de ideias e vontade em mudar o mundo, empenhou-se em melhorar as condições de vida nos bairros sociais, em ajudar as mães adolescentes de Altgeld, em travar a pobreza cíclica dos negros e em "salvar os jovens", que se refugiavam nos gangues.

Pelo meio deste empenho (cujos resultados só vão começar a aparecer no segundo ano), Obama aborda as questões raciais, as divisões entre os próprios negros e a baixa autoestima, assim como o nacionalismo negro – que ele considera que "não precisava de se basear no ódio aos brancos".

Barack via como algumas pessoas que trabalhavam nas instituições de apoio social estavam ali apenas pelo salário; outras, para tirar dividendos das suas posições (para si e para a família); e outras que queriam sinceramente ajudar, mas que, independentemente das suas motivações, acabavam por ser vencidas pelo cansaço enraizado.

Numa conversa com o diácono Wilber Smith, depois da visita do presidente da Câmara, que ali fora inaugurar um centro de emprego, Barack admite: "Eu sentia realmente que havia algo a provar – às pessoas de Altgeld, a Marty, ao meu pai, a mim. E era isso que tornava o que eu fazia importante. Que eu não era um louco a correr atrás de sonhos vãos".

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