O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungia, Peter Szijjarto, anunciou que iria bloquear a adoção desse pacote, acusando a Ucrânia de impedir entregas de petróleo russo ao seu país através do oleoduto Druzhba.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, descartou que os ministros dos Negócios Estrangeiros consigam aprovar esta segunda-feira o 20.º pacote de sanções à Rússia, ao contrário do que estava previsto, por oposição da Hungria.
Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeiaAP Photo/Geert Vanden Wijngaert
"Vamos discutir o 20.º pacote de sanções, mas, como todos sabem, não vai haver avanços nesta matéria hoje. Mas iremos certamente insistir nesta questão", afirmou Kaja Kallas em declarações aos jornalistas à chegada a uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança referia-se ao pacote de sanções que tinha sido preparado para ser aprovado na reunião de hoje, na véspera de se assinalar o quarto aniversário da guerra na Ucrânia.
No entanto, este domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto anunciou que iria bloquear a adoção desse pacote, acusando a Ucrânia de impedir entregas de petróleo russo ao seu país através do oleoduto Druzhba.
Kaja Kallas afirmou que a UE está a "fazer o seu melhor" para conseguir adotar este pacote de sanções, referindo que já falou com vários Estados-membros que prometeram falar sobre este assunto na reunião de hoje e tentar "convencer os países que estão a bloquear".
"Mas ouvimos declarações muito fortes da Hungria, por isso não estou a vê-los a mudar de posição. Infelizmente, é a posição que eles têm", disse.
Questionada sobre que tipo de compromissos é que a UE está a disposta a fazer para conseguir convencer a Hungria a mudar de postura, Kaja Kallas observou que a justificação de Budapeste para o bloqueio - ligada ao oleoduto Druzhba - "não tem nada a ver com o 20.º pacote de sanções".
"Por isso, acho que não devíamos relacionar coisas que não têm nada a ver umas com as outras. Mas vamos ouvir as explicações deles, os motivos que apresentam para o bloqueio, e depois vamos ver quais são as possibilidades que temos para os ultrapassar", referiu.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da União Europeia reúnem-se hoje para decidir se impõem um novo pacote de sanções à Rússia e se avançam com medidas contra Israel devido à expansão de colonatos na Cisjordânia.
O início deste Conselho de Negócios Estrangeiros está marcado para as 09:45 (08:45 de Lisboa) e terá apenas dois temas em cima da mesa: a guerra na Ucrânia e a situação no Médio Oriente, em particular no Irão, Síria, Israel e Palestina.
No que se refere à Ucrânia, os ministros reúnem-se na véspera de se assinalar o quarto aniversário da guerra, e previa-se que decidissem impor o 20.º pacote de sanções à Rússia, antes da a Hungria manifestar a sua oposição.
A proposta inicial de sanções tinha sido apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 06 de fevereiro e incluía restrições a nível financeiro e comercial, mas também a proibição total de serviços marítimos para o petróleo bruto -- um ponto contencioso para países como a Grécia ou Malta, com fortes indústrias marítimas.
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