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O Tisza, partido de centro-direita liderado por Péter Magyar, lidera sondagens mas o Fidesz, do atual primeiro-ministro, continua a reunir a preferência dos mais velhos.
“Vivemos as nossas vidas inteiras dentro deste sistema e queremos ver como seria fora dele”, atirou Florián Végh, um estudante de 25 anos, citado pela Associated Press. “Posso dizer em nome dos meus colegas universitários e dos meus amigos que este sistema é absolutamente disfuncional.”
Péter Magyar lidera o partido de centro-direita Tisza e quer derrotar Viktor Orban nas urnas no próximo dia 12AP
No próximo dia 12 os húngaros vão ser chamados às urnas para escolher entre a continuidade do governo de Viktor Orbán, de 62 anos, que está no poder há 16, ou o partido de centro-direita Tisza, liderado por Péter Magyar, que tem aparecido na liderança das últimas sondagens.
A sociedade parece estar dividida: os jovens húngaros pressionam pelo fim do regime autocrático de Orbán enquanto que os eleitores mais velhos permanecem leais ao primeiro-ministro. Magyar é um advogado de 45 anos que rompeu com o partido de extrema-direita de Orbán, o Fidesz, e inspirou um grupo cada vez maior de eleitores que deixaram de se identificar com as políticas do primeiro-ministro, acusando-o de corrupção e autoritarismo.
Uma pesquisa recente revelou que 65% dos eleitores com menos de 30 anos apoiam o Tisza, enquanto que 14% estão ao lado de Orbán. Os mais jovens querem uma mudança de regime e entram na campanha pelo Tisza, em ações de porta a porta, como tem acontecido na região do Lago Balaton.
Um voluntário do Tisza, estudante de 24 anos, lembrou à Associated Press que 'Fidesz' é uma sigla que em húngaro significa "Aliança dos Jovens Democratas", mas Levente Koltai garante que o partido já não faz jus ao nome. "O Fidesz perdeu o título de jovem, democrático e de aliança. Passou de jovem para velho, de democrático a tender para o ditatorial e de aliança para um grupo de comparsas.”
Já Andrea Szabó, investigadora do Instituto de Ciência Política da Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste, constata que está a emergir uma mudança na Hungria. "Há uma nova geração política ativa a desenvolver-se diante de nossos olhos, chegámos ao ponto em que, após 25 anos, há uma nova geração política que se opõe ao regime de Orbán."
Escândalo
A Hungria foi abalada por um escândalo político em 2024, quando se soube que o presidente, um aliado de Viktor Orbán, tinha dado um indulto a um cúmplice em num caso de abuso sexual de crianças. O caso chocou o país e levou à demissão do presidente e do ministro da Justiça.
Seguiram-se protestos, liderados por influencers do país, que exigiram uma mudança política e que abriram "as portas à politização de muitos jovens", conforme constatou Andrea Szabó à Associated Press.
Foi neste contexto que surgiu o Tisza, pela mão de Péter Magyar. Com uma campanha alicerçada em promessas de acabar com a aliança de Orbán com a Rússia e voltar a abrir o país ao ocidente, além de reativar a economia, recuperando o dinheiro da União Europeia que está bloqueado, o partido conquistou 30 por cento dos votos nas eleições europeias e deixou o Fidesz de Orbán em alerta.
Florián Végh, o jovem que no Lago Balaton apela porta a porta ao voto em Péter Magyar, sonha com uma sociedade mais aberta e livre. "Na Áustria, vês uma sociedade muito mais calma, pacífica e instruída, com melhores estradas e melhor sistema de saúde. Cruzamos a fronteira e percebemos que entramos num país europeu desenvolvido.”
Mas será esta mobilização da juventude suficiente para motivar uma mudança de regime? Embora o Tisza lidere as sondagens, a verdade é que a vitória está longe de ser garantida.
Orbán tem grande aceitação entre os eleitores mais velhos, principalmente nas zonas rurais. Acusado de reprimir a liberdade de imprensa e de liderar um sistema corrupto, o primeiro-ministro opõe-se à imigração e aos direitos LGBTQ+, atribuiu benefícios a famílias jovens, como a isenção de IRS a mães com vários filhos e permitiu a cedência de empréstimos com garantia estatal a compradores de imóveis jovens. Além de um complemento para os reformados, que recebeu aplausos do eleitorado sénior...
"Quando eu era jovem não recebia nada. Agora os jovens têm muita ajuda”, constatou Zsuzsanna Prépos, uma reformada, durante um comício de Orbán.
Mas essas medidas parece que não convencem a juventude. Num comício recente o governante fez um apelo: "Jovens, acordem! Este não é o momento de correr riscos, experimentar ou tentar coisas novas. ... Acreditem em mim, hoje, somente o Fidesz e eu, humildemente falando, podemos garantir a segurança deste país."
No próximo dia 12, nas urnas, veremos se a voz de Orbán foi ou não ouvida.
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