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A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, e outros membros do partido participaram na marcha, que partiu do Marquês de Pombal em direção ao Terreiro do Paço.
Mais de 200 pessoas manifestaram-se este domingo em Lisboa contra a repressão dos protestos no Irão, que já causou milhares de mortes, e a pedir a intervenção da comunidade internacional para travar o "holocausto iraniano".
Protesto em Lisboa apela à libertação do Irão face ao regime islâmicoANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Os manifestantes empunhavam bandeiras do Irão, de Portugal, Israel e Estados Unidos, bem como cartazes com o rosto do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979 pela Revolução Iraniana, e do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Senhor Presidente Trump, por favor aja agora. Esmague o regime terrorista. 'Make Iran Great Again'" (uma referência ao movimento MAGA, dos EUA), lia-se num dos cartazes. Outro, com o rosto de André Ventura, pedia apoio ao líder do Chega.
"Portugal, age agora", "Irão Livre" ou "IGCR terrorista" -- a sigla em inglês para a Guarda Revolucionária do Irão -- foram algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes, entre os quais a presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, e outros membros do partido, que partiram do Marquês de Pombal em direção ao Rossio pouco depois das 15:00, sob uma chuva intensa.
Empunhando as bandeiras de Portugal e de Israel, Masoud Ardestani, 36 anos, estudante de doutoramento em Portugal, denunciou um "Holocausto iraniano", admitindo que as mortes pela repressão aos protestos iniciados no final de dezembro "podem chegar às 100 mil".
"Viemos aqui pedir ajuda. Queremos SOS, uma ação militar internacional contra o regime", disse à Lusa o estudante iraniano.
Um apoio que, sublinhou, pode vir dos Estados Unidos, Israel -- dois inimigos de Teerão - e Europa.
"O povo do Irão está com o povo israelita. Adoramos o povo judeu e adoramos o povo americano", afirmando Masoud Ardestani, acrescentando que os iranianos querem "um país secular e democrático" e poder escolher se "querem uma monarquia constitucional ou um sistema de república", após uma transição pacífica, qe seria assegurada por Reza Pahlavi.
Tahereh Bodega, uma iraniana de 43 anos que vive em Portugal desde 2010, avisou que o povo do Irão "não consegue fazer isto sozinho".
"Tantas pessoas corajosas morreram (...) e só pediam liberdade, nada mais. Querem prosperidade para o Irão e paz com o resto do mundo, incluindo os EUA e Israel", comentou.
A líder da IL quis expressar apoio aos iranianos, "que querem liberdade, o direito à vida e à sua individualidade".
O regime no poder no Irão "levou à completa falência do país ao nível social, ao nível económico, ao nível político, ao nível das liberdades", e é "autocrático, ditatorial (...), persegue e mata pessoas simplesmente porque elas não cumprem determinadas regras de uma forma completamente bárbara", considerou.
Mariana Leitão apelou a um esforço da União Europeia "para mobilizar a comunidade internacional" e "pôr um termo a esta situação".
Na manifestação, onde a grande maioria eram cidadãos iranianos, duas irmãs portuguesas, Ana e Cristina Fernandes, quiseram mostrar solidariedade aos "irmãos iranianos".
As duas mulheres, filhas de portugueses, nasceram na década de 1960 no Irão, onde o pai trabalhava na construção de barragens, e fugiram do país em 1980, no início da guerra com Israel e já depois da Revolução Islâmica, que instaurou o regime dos 'ayatollah' (líder supremo do Irão).
"Peço ao governo português que olhe para o povo iraniano, porque isto que eles estão a pedir não é só uma questão de problemas económicos", comentou à Lusa Cristina Fernandes, que descreveu que os iranianos "estão fartos deste regime autocrático que usa a religião para massacrar as pessoas".
Os iranianos, sublinhou, "são persas e são um povo pacífico".
"No tempo do xá, havia paz entre Israel e entre os povos do Médio Oriente", comentou.
Da vida no Irão, Cristina recorda "uma vida boa", afirmando que o xá "foi um precursor da liberdade das mulheres, da democracia".
"Mas, de um momento para o outro, foi o declínio", lamentou.
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