O gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que vai convocar uma célula de crise interministerial esta noite dedicada aos incêndios florestais.
Cerca de 110 mil pessoas foram retiradas devido aos incêndios florestais que devastam o sudoeste de França, o maior dos quais, no departamento de Gironda, já consumiu 14 mil hectares, segundo o governo, que convocou um gabinete de crise.
Fumo de um incêndio perto da aldeia de Andernos, em FrançaJULIEN REGUL/LUSA_EPA
O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, afirmou esta sexta-feira à cadeia televisiva TF1 que a situação é "completamente sem precedentes".
"Nunca vimos nada assim, um incêndio conetivo (que se alimenta a si próprio) desta magnitude", declarou.
Os serviços de emergência retiraram 110 mil pessoas desde quarta-feira e o incêndio de Gironda "queimou 14 mil hectares" e "destruiu 53 casas".
Este incêndio dirige-se para a área metropolitana de Bordéus e as autoridades preparam a proteção da cidade, que "não está ameaçada neste momento", frisou Nuñez.
"Obviamente, faremos todo o possível para a proteger através de operações terrestres" e com o auxílio de recursos militares, declarou ao canal de televisão TF1.
O gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que vai convocar uma célula de crise interministerial esta noite dedicada aos incêndios florestais.
"Os Ministérios do Interior, das Forças Armadas, da Saúde, dos Transportes e do Ambiente" serão convocados para esta reunião, marcada para as 22:00 (20:00 TMG), refere um comunicado do gabinete do primeiro-ministro.
O incêndio que começou na quarta-feira em Saumos levou também à evacuação da península de Cap-Ferret, onde os habitantes tiveram de ser retirados por estrada e por barco.
Também foram retiradas pessoas de Saumos, Le Temple, Arès e Andernos.
"Estamos perante um incêndio XXL, imprevisível", afirmou a autarca da Nova Aquitânia e de Gironda, Sophie Brocas, numa conferência de imprensa.
A autarca alertou que o incêndio na baía turística de Arcachon continua fora de controlo, numa situação de seca extrema e com previsão de ventos fortes que podem complicar os trabalhos de extinção.
Mais de 1.000 bombeiros, 440 polícias militares, 260 veículos e um vasto dispositivo terrestre participam nas operações no terreno, entretanto reforçadas com quatro aviões Canadair, três aviões de combate a incêndios e helicópteros de reconhecimento.
Um incêndio que começou em Biscarosse, também no sudoeste, avançou esta sexta-feira para sudeste em direção a Parentis e 8.000 pessoas tiveram de ser retiradas preventivamente, além das 23.000 já retiradas desde quinta-feira à noite, anunciaram as autoridades locais.
"Não há vítimas, até ao momento, entre a população civil. No que diz respeito aos bombeiros, registaram-se cinco feridos ou casos de mal-estar, mas de natureza leve", acrescentou o representante do Estado na região, Gilles Clavreul.
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