O líder do partido opositor Tisza tem prometido restaurar o Estado de Direito e a independência dos tribunais, exigências de Bruxelas para desbloquear milhares de milhões de euros de fundos europeus retidos por violações ao Estado de Direito e corrupção sistémica do governo de Viktor Orbán (Fidesz), no poder há 16 anos.
Organizações da sociedade civil esperam que, se vencer no domingo as eleições legislativas húngaras, o líder da oposição Péter Magyar se empenhe em tornar o país “mais habitável e humano”.
Apoiantes de Péter MagyarAP
“Isto não se trata de trazer para casa o financiamento da União Europeia ou de tornar a economia húngara mais competitiva, mas sim de tornar o país um lugar mais habitável e humano”, disse, em entrevista à Lusa em Budapeste, a co-presidente do Comité de Helsínquia Húngaro, Márta Pardavi.
O líder do partido opositor Tisza tem prometido restaurar o Estado de Direito e a independência dos tribunais, exigências de Bruxelas para desbloquear milhares de milhões de euros de fundos europeus retidos por violações ao Estado de Direito e corrupção sistémica do governo de Viktor Orbán (Fidesz), no poder há 16 anos.
As organizações não-governamentais (ONG) têm “uma longa lista de recomendações” para Péter Magyar, a quem as sondagens atribuem a vitória.
“Nomeadamente sobre a forma como o Governo deve tratar a sociedade civil, deixando de lado a hostilidade e vendo-a tanto como parceiro como um contrapeso legítimo, que transmita as expectativas dos cidadãos e que seja crítico”, comentou Márta Pardavi, cuja organização foi distinguida em 2017 pela Fundação Calouste Gulbenkian, pelo trabalho em prol dos refugiados.
Magyar “deve estar empenhado em tornar o país um lugar melhor, mas o papel das organizações da sociedade civil, como as organizações de defesa dos direitos humanos, é e será realmente crucial”, defendeu.
Como prioridades, a representante elege a revogação de legislação “absolutamente indesejada e inútil e que fazia parte deste projeto iliberal”, nomeadamente as que visam organizações da sociedade civil ou certos grupos.
A lei que proíbe manifestações de apoio à minoria LGBT – com base na qual as autoridades proibiram, sem sucesso, marchas de orgulho em Budapeste e Pécs, no ano passado –, ou a “falsamente chamada lei de proteção de menores”, que impede a divulgação de conteúdos relacionados com homossexualidade e mudança de género, “têm de ser revogadas”, sublinhou.
A Comissão Europeia levou a lei relativa à proteção das crianças ao Tribunal de Justiça da União Europeia e a decisão deve sair em breve.
Sobre Péter Magyar, a responsável da ONG disse: “Prefiro vê-lo dizer, ‘vamos respeitar as decisões e vamos garantir que cada cidadão e cada membro da nossa sociedade seja tratado como um membro igual e com direitos iguais”.
“Por isso, gostaria também de ver um apoio real e claro à igualdade e aos direitos humanos, não uma linguagem que evite nomear as coisas pelo que são”, comentou, citando nomeadamente a ausência de referência à comunidade LGBT no programa do Tisza, conservador.
“Cerca de 300.000 pessoas disseram de forma muito clara que não querem discriminação, querem o pleno gozo das liberdades civis, como liberdade de protesto, liberdade de expressão. Isto é muito importante para vários eleitores [de Magyar]”, comentou, referindo-se ao número de participantes da marcha de orgulho LGBT realizada em junho passado em Budapeste, apesar da proibição das autoridades.
Sobre as migrações, outro ponto de fricção entre Orbán e Bruxelas, Márta Pardavi disse esperar “uma política que respeite pelo menos os padrões legais da UE”.
No entanto, as propostas de Magyar nesta área não diferem da do partido no Governo – o candidato concorda com a cerca construída por Orbán na fronteira, por exemplo.
“Será importante também para descongelar o financiamento da UE. E, neste momento na União Europeia, devemos realmente investir nestes valores em vez de os abandonar”, salientou.
A ativista deixou uma pergunta: “Num Conselho Europeu, qual será a posição do representante do Governo húngaro, não só nas grandes questões geopolíticas, mais irá realmente regressar a estes valores fundamentais onde a UE deve continuar unida e ser vocal?”.
Cerca de oito milhões de húngaros são chamados este domingo a eleger os 199 deputados do parlamento, nas eleições mais disputadas dos últimos anos.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.