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De Londres a Lisboa: líderes da NATO tentam livrar-se do revólver oferecido por Erdogan

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Durante a Cimeira da NATO, na Turquia, o primeiro-ministro turco surpreendeu os líderes com uma oferta fora de comum: um revólver personalizado. Luís Montenegro vai entregar a peça à polícia e Von der Leyen vai oferecer a um museu.

Durante a cimeira da NATO, na Turquia, Recep Tayyip Erdogan surpreendeu os líderes aliados com uma oferta fora do comum: um revólver personalizado. Luís Montenegro entregou a arma à PSP para perícia, enquanto Ursula von der Leyen anunciou que a peça será desativada e doada a um museu.

Luís Montenegro entregou a arma à PSP
Luís Montenegro entregou a arma à PSP DR

Distribuído aos chefes de Estado e de Governo que participaram na cimeira realizada em Ancara, o presente consistia num revólver Magnum .357 gravado com o nome de cada líder e acompanhado por seis munições. Uma oferta que acabou por gerar alguma perplexidade entre vários aliados da NATO.

Em Portugal, avança a agência Lusa, o primeiro-ministro Luís Montenegro decidiu entregar a arma ao Corpo de Segurança Pessoal. O revólver foi transportado para Portugal e encontra-se no Departamento de Armas e Explosivos da PSP para ser submetido a uma perícia que determine o enquadramento legal aplicável à oferta.

Durante o voo de regresso a Londres, Keir Starmer explicou aos jornalistas que tinha optado por deixar a arma na Turquia para ser desativada, avança a (AP), uma vez que a sua importação seria ilegal no Reino Unido, apesar de uma carta das autoridades turcas indicar que a oferta estava isenta de controlos de exportação.

Em alguns casos, os destinatários só perceberam o que tinham recebido depois de regressarem aos respetivos países. Foi o que aconteceu com o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, que apenas descobriu a existência do revólver quando a delegação já tinha aterrado na base aérea de Melsbroek, avança o .

Algo semelhante aconteceu na Croácia. Segundo a AP, o Presidente Zoran Milanovic afirmou que só mais tarde percebeu que estava entre os destinatários do presente. Com ironia, comentou que tinha descoberto "apenas esta manhã" que Erdogan lhes tinha vendido "sucata em vez de algo de valor". A arma deverá ser entregue a um museu ligado às forças policiais.

Também presenteada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o revólver será desativado e doado a um museu militar, enquanto que António Costa, presidente do Conselho Europeu, informou apenas que a arma será armazenada de forma segura.

Na Alemanha, o revólver oferecido ao chanceler Friedrich Merz foi entregue à embaixada em Ancara para que possa ser importado legalmente e integrado na coleção oficial de presentes diplomáticos do Governo alemão. O primeiro-ministro neerlandês, Rob Jetten, também deixou a arma na embaixada dos Países Baixos, onde será desativada e preservada.

No Canadá, o episódio foi recebido com humor. Em conferência de imprensa, questionado sobre o que pensou ao abrir o presente, o primeiro-ministro Mark Carney respondeu: "Nunca o vi. Mantenham as armas longe de mim." O governante acrescentou que o revólver foi desativado por não cumprir a legislação canadiana e porque não possui licença para armas de fogo. O plano passa agora por encontrar-lhe lugar num museu.

Nas redes sociais, o novo primeiro-ministro da Hungria, Magyar Péter, partilhou uma imagem do presente, descrevendo-o como "fora do comum".

O gabinete de Erdogan não comentou oficialmente a iniciativa, mas os meios de comunicação turcos identificaram a arma como uma Gumusay .357 Magnum produzida pela fabricante estatal MKE. A oferta foi interpretada como uma forma de demonstrar a capacidade da indústria de defesa turca, um dos setores que Ancara tem procurado projetar internacionalmente nos últimos anos.

Além do revólver, os participantes da cimeira receberam uma lembrança mais convencional: uma cópia da biografia de Erdogan, intitulada "A Política da Coragem: Erdogan e a Ascensão da Turquia".

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