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Cuba às escuras desde sábado dá primeiros passos para recuperar energia

Em Havana e províncias como Matanzas, no oeste, e Holguín, no leste, microssistemas de energia locais foram instalados para abastecer os centros mais vitais.

Cuba começou a restabelecer este domingo o sistema de energia, um dia após um novo apagão nacional que deixou milhões de pessoas no escuro pela terceira vez neste mês.

Apagão em Cuba
Apagão em Cuba AP

O novo apagão nacional, que foi no sábado atribuído ao desligamento total do Sistema Elétrico Nacional às 18h38 locais (22h38 de Lisboa), é o segundo em menos de uma semana e o sétimo em ano e meio.

Este domingo, num relatório do Ministério de Energia e Minas, é dado conta de que cerca de 72 mil clientes na capital, incluindo cinco hospitais, tiveram energia elétrica restabelecida no início da manhã, o que representará uma pequena fração da população total de Havana, de aproximadamente dois milhões de habitantes.

Em Havana e províncias como Matanzas, no oeste, e Holguín, no leste, microssistemas de energia locais foram instalados para abastecer os centros mais vitais.

Moradores de algumas áreas da capital disseram à agência de notícias Associated Press que a energia voltou durante a madrugada.

Já a agência de notícias Efe descreve, com base em informações do informou o Ministério de Energia e Minas (Minem), que o Sistema Elétrico Nacional de Cuba permanecia 'offline' 16 horas após o apagão, enquanto uma central hidrelétrica, uma termoelétrica e duas geradoras nas regiões central e oeste do país já estão operacionais.

Em declarações à televisão estatal cubana, o funcionário do Minem Lázaro Guerra disse que, independentemente da investigação em curso sobre as causas, foi detetada a paralisação de uma unidade na central termelétrica de Nuevitas (centro-leste), o que desencadeou um efeito cascata que deixou outras em todo o país sem energia.

O processo de restabelecimento do Sistema Elétrico Nacional é gradual e pode levar vários dias, como especialistas já alertaram em situações semelhantes no passado.

Cuba encontra-se mergulhada numa profunda crise energética desde meados de 2014, uma situação com causas estruturais agravada nos últimos três meses com o embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que elevou os cortes de energia elétrica a níveis recorde.

Nas últimas duas semanas, registaram-se dois apagões nacionais e um corte de abastecimento em grande escala, que deixou dois terços da ilha sem eletricidade.

Mesmo sem imprevistos, a situação já é crítica: os cortes em Havana são de cerca de 15 horas por dia e algumas regiões já estiveram dois dias consecutivos sem energia.

Especialistas independentes indicam que a crise energética cubana decorre de uma combinação de subfinanciamento crónico do setor e do atual embargo norte-americano.

O Governo cubano destaca, acima de tudo, o impacto das sanções norte-americanas e acusa Washington de "asfixia energética".

Diversas estimativas independentes sugerem que seriam necessários entre 8.000 e 10.000 milhões de dólares (6.900 e 8.630 milhões de euros) para recuperar o sistema elétrico.

Sobre o embargo americano, a administração de Donald Trump exige que Cuba liberte os presos políticos e avance rumo à liberalização política e económica em troca do levantamento das sanções.

Essa medida de Washington, que deixou o sistema de geração de energia elétrica de Cuba praticamente sem combustível, principalmente diesel e óleo combustível, quase paralisou a atividade económica da ilha, gerando descontentamento social.

Nos últimos dias, foram registados protestos, principalmente em bairros de Havana, e uma manifestação maior em Morón (centro de Cuba) terminou com violência e resultou em pelo menos cinco detenções.

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