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Eleições antecipadas no Reino da Dinamarca: Frederiksen testa força nas urnas

Renata Lima Lobo 21 de março de 2026 às 08:00

O país vai ter eleições antecipadas na próxima terça-feira, a pedido da atual primeira-ministra que parece querer testar a sua crescente popularidade.

As sondagens não são tão favoráveis a Mette Frederiksen como os números que a elegeram primeira-ministra nas legislativas de 2022. Mas após uma queda de popularidade, a defesa da Gronelândia em relação à cobiça norte-americana valeram-lhe mais simpatia dos eleitores. Esta terça-feira, 24 de março, há eleições nacionais antecipadas, mas apenas por alguns meses, uma vez que teriam de ser realizadas até outubro. O pedido foi feito pela própria primeira-ministra.

Debate entre Mette Frederiksen e Troels Lund Poulsen Lusa/EPA/Mads Claus Rasmussen

Frederiksen é líder do partido Social Democrata (Social-demokratiet) dinamarquês que sofreu uma derrota nas eleições autárquicas de dezembro passado. Mas as sondagens – realizadas pelo instituto de pesquisa dinamarquês - para as eleições nacionais dão vantagem ao seu partido com 21,5% das intenções de voto, um número inferior aos 27,5% alcançados há quatro anos. A avaliação da primeira-ministra é que tem recolhido números mais interessantes. Em janeiro tinha uma taxa de aprovação na ordem dos 52,5%, muito superior à verificada em setembro de 2020, de 44,1%. Há dois anos chegou a ter apenas 30,7%.

Em segundo lugar nas sondagens, segue o Socialistisk Folkeparti (Partido Popular Socialista), liderado por Pia Olsen Dyhr, com 12,8% - tendo aumentado em mais de cinco pontos percentuais desde as últimas legislativas – e taco a taco seguem duas forças políticas, em terceiro e quarto lugar com 9,4%. A Liberal Alliance (Aliança Liberal) - de Alex Vanopslagh, com 9,4%, mais um partido em crescimento na Dinamarca (em 2022 ficou-se pelos 7,9%); e o Venstre (que significa Esquerda, mas é hoje um partido liberal), de Troels Lund Poulsen - atual Ministro da Defesa - o segundo partido mais votado nas legislativas de 2022 com 13,3%.

A verdade é que as posições de todos os partidos, da esquerda à direita, não diferem muito nas críticas a Donald Trump quando o tema é a Gronelândia. No debate de 16 de março, num frente-a-frente entre Frederiksen e Poulsen, a primeira-ministra afirmou que os EUA já não são os aliados mais próximos da Dinamarca, preferindo destacar a relação com o Canadá, "mais próximo dos valores da Europa". E ambos estiveram de acordo com a sugestão de Poulsen em duplicar o número de recrutas nas Forças Armadas do país. Em janeiro, o Ministro da Defesa, acabou mesmo por sublinhar a importância de reforçar a presença militar no Ártico e Atlântico Norte.

Por ser uma questão de soberania, a ameaça de Trump uniu os dinamarqueses em torno do assunto. Pia Olsen Dyhr, por exemplo, dos “verdes”, escreveu no Facebook que, embora a Gronelândia tenha interesse em cooperar comercialmente e em questões de segurança com os EUA, "a Gronelândia não está à venda" e a sua "integridade territorial deve ser respeitada".

Em dezembro, Alex Vanopslagh também se serviu das redes sociais para amplificar a sua opinião: "Deixem-me ser muito claro: o futuro da Gronelândia é definido exclusivamente pela cooperação entre Nuuk e Copenhaga – e não em Washington". "Congratulamo-nos com o investimento americano e a cooperação militar, mas qualquer conversa sobre a tomada de poder ou tentativas de alterar o estatuto jurídico do Estado através de ameaças ou pressões é excluída e inaceitável", destacou o jovem político dinamarquês.

Seja qual for o resultado destas eleições, ele não estará ligado à questão da Gronelândia. Pelo menos, não no plano mais geral de rejeição das intenções norte-americanas.

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