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Cinco canções que resumem a carreira musical de Luís Represas (1956-2026)

O cantor e compositor português deixa um legado de virtuoso cantor, letrista e instrumentista. Recorde-o em cinco canções emblemáticas de uma carreira memorável.

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Luís Represas em 2022, altura do espetáculo Ao Canto da Noite
Luís Represas em 2022, altura do espetáculo Ao Canto da Noite Pedro Catarino

Figura cimeira da música popular portuguesa, Luís Represas será lembrado como cantor, letrista e intérprete, mas sobretudo um grande escritor de canções, com uma carreira que chegava aos 50 anos. Em nome próprio e como parte do Trovante, construiu um repertório impressionante de temas que ficarão no cânone nacional – recorde aqui algumas das mais memoráveis.

Balada das Sete Saias (1981)

Para muitos, Baile no Bosque continua a ser o melhor disco do Trovante, uma ponte experimental entre o começo, ligado à música tradicional e de intervenção, e os caminhos mais pop que seguiriam depois. Não é de Represas a autoria desta canção, um dos destaques do álbum, cuja letra é creditada a Francisco Viana e música à banda como coletivo. Não deixa, ainda assim, de valer a pena revisitá-la nesta altura: além de cantar na faixa, o músico toca um bandolim virtuoso e muito proeminente na sua segunda metade, que ilustra bem este lado exploratório da primeira fase da sua carreira, entre o bucólico, o medieval e o progressivo.

125 Azul (1987)

O Trovante já se tornara noutra coisa quando a banda revelou o disco Terra Firme e nenhuma canção representa melhor esta fase de explosivo sucesso comercial do que 125 azul, a canção cuja letra foi escrita numa altura de grande fulgor criativo para Represas, numa toalha de restaurante entre "os restos dos amendoins", como contou várias vezes. A inspiração também é sobejamente conhecida: um amigo seu que partira numa viagem sem rumo em cima de uma moto Honda 125 azul, personificação da liberdade, do risco e do sentido de aventura próprios da juventude.

Saudade (1990)

Êxito do último álbum de estúdio da banda, Um Dia Destes, contrasta o tom alegre e ritmo mexido do instrumental com a letra de Represas sobre esse sentimento universal – o que transforma esta saudade numa espécie de feliz reminiscência. Embora o cantor nunca se tenha alongado sobre o seu sentido, é fácil interpretar estes versos, escritos já numa fase de discórdia interna na banda, a dois anos da sua separação, como uma nostalgia por antecipação, um adeus antes do adeus. Com a despedida do seu autor, ganha hoje uma nova relevância.

Feiticeira (1993)

Com o fim do Trovante, Represas refugiou-se em Havana para encontrar novo rumo, onde se deu o nascimento da sua carreira a solo, inspirada também pelos novos horizontes da música cubana. Em 2022, o cantor que não escreveu Feiticeira, balada esotérica sobre uma mulher mágica que surge como num sonho, para ser um dueto, mas a amizade com o cubano Pablo Milanés encaminhou-o naturalmente para a colaboração em português e espanhol, que ajudou a levar a sua música além-fronteiras. É ainda um dos seus mais duradouros contributos para a música popular portuguesa.

Da Próxima Vez (2003)

O último dos grandes êxitos nacionais de Represas, do álbum Fora de Mão, é também uma das suas canções mais diretas, uma reflexão própria da maturidade sobre a passagem do tempo e as oportunidades perdidas. Com instrumentação acústica simples e refrão memorável, o cantor lembrou-nos porque é um dos mais reverenciados da sua geração, num tema que, tendo sido escrito já numa fase tardia de carreira, se tornou presença indispensável nos seus espetáculos ao vivo. 

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