Funcionários jovens do Goldman Sachs pedem para "só" trabalhar 80 horas semanais

Funcionários jovens do Goldman Sachs pedem para 'só' trabalhar 80 horas semanais
Leonor Riso 21 de março
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Banqueiros no primeiro ano de contrato acabam por trabalhar 95 horas semanais e dormem cinco horas por dia, indica relatório feito por analistas.

Em fevereiro, um documento de onze páginas realizado por jovens banqueiros no seu primeiro ano de contrato foi apresentado à direção do banco de investimento Goldman Sachs. O relatório abordava as suas condições de trabalho: em média, cumprem 95 horas semanais de trabalho, dormem cinco horas por dia e vão dormir às três da manhã. Terminava com alguns pedidos, entre eles, o de o limite semanal de horas de trabalho passar a ser de 80 horas (16 por dia). 

REUTERS/Brendan McDermid
Segundo a BBC, o documento foi divulgado no twitter e terá sido feito por funcionários sediados nos EUA. Na análise, participaram 13 analistas no seu primeiro ano de contrato. Nos seus depoimentos, contam que não conseguem dormir e queixam-se dos elevados níveis de ansiedade. 

"Às vezes eu não comia, não tomava banho nem fazia mais nada a não ser trabalhar de manhã até depois da meia-noite", lê-se no documento. "Eu não vim para este emprego à espera de um horário das nove às cinco, mas também não esperava trabalhar sempre das nove da manhã às cinco da manhã."

77% dos inquiridos relata que foi vítima de abusos no local de trabalho. 100% acredita que as horas de trabalho afetaram o relacionamento com família e amigos. 

Antes de irem trabalhar para a Goldman Sachs, os analistas avaliavam a sua saúde mental com um nota de 8.8 em dez, e a saúde física em nove. Após começar o emprego, a saúde mental voltou a ser avaliada mas em baixa, para 2.8 em dez, o que também aconteceu com a saúde física (2.3 em 10). 

Três quartos dos inquiridos pensam em pedir ajuda para lidar com o stresse. 

Além de pedirem para trabalhar "só" 80 horas semanais, o documento inclui ainda o pedido de que os banqueiros mais jovens possam não trabalhar depois das 21 horas de sexta-feira ou durante todo o dia de sábado sem uma excepção pré-aprovada, "visto que é o único tempo pessoal salvaguardado que temos". Insistem ainda por mais tempo para preparar as reuniões, para que não tenham que perder tantas horas de sono a fazê-lo em pouco tempo. 

Em comunicado, a Goldman Sachs indicou que pretende reduzir a pressão nos seus jovens. "Reconhecemos que os nossos funcionários estão muito ocupados, porque o negócio é sólido e os volumes estão em níveis históricos. Depois de um ano de pandemia, é compreensível que haja muito stress, por isso estamos a ouvir as preocupações e a tomar medidas para as resolver."

Aos seus estagiários, o Goldman Sachs já impôs um limite de 17 horas de trabalho diárias, de forma a não trabalharem depois da meia-noite nem chegarem ao escritório antes das sete da manhã.
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