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Curiosidades dos Mundiais de futebol (4): Eusébio, a polémica com Garrincha e um cão-herói

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Em 1962, Garrincha foi expulso antes da final, mas foi salvo por um desaparecimento misterioso. Já em 1966, onde brilhou o Pantera Negra, a taça também levou sumiço, mas um nariz farejador encontrou-a.

O Mundial 2026 começa no próximo dia 11 de junho, com o México-África do Sul como jogo de abertura – vai acontecer no estádio Azteca, da Cidade do México, que vai ser o primeiro a receber partidas de três Mundiais (o México organizou o torneio em 1970 e 1986). Este é também o primeiro Mundial de futebol a realizar-se em três países (Estados Unidos, México e Canadá), algo que vai voltar a acontecer em 2030, pois a competição desse ano decorrerá em Espanha, Portugal e Marrocos. Enquanto não começa a febre dos jogos (e este ano serão, no total, 104, pois este vai ser o Mundial com mais seleções de sempre, 48), veja aqui algumas curiosidades ao longo de quase 100 anos da história da prova. Até ao início, vamos publicar todos os dias curiosidades à volta de dois Mundiais, num total de 11 textos. Este aborda os Mundiais de 1962 e 1966. 

O capitão Booby Moore levanta a taça conquistada pelos ingleses, após o triunfo sobre a Alemanha
O capitão Booby Moore levanta a taça conquistada pelos ingleses, após o triunfo sobre a Alemanha

Mundial 1962

País organizador: Chile

Vencedor: Brasil

1. Foi a última vez que apenas estiveram equipas da Europa e da América num Mundial: foram 10 europeias, cinco da América do Sul e uma da América Central (México).

2. A decisão de atribuir o Mundial de 1962 ao Chile foi tomada em Lisboa, onde decorreu, em junho de 1956, o Congresso da FIFA. Depois das duas anteriores competições terem decorrido em países europeus (em 1954 na Suíça e em 1958 na Suécia), a FIFA determinou que desta vez seria na América, surgindo as candidaturas de Argentina e Chile, com a vitória a pender para os chilenos, com 32 votos, contra os 10 da Argentina.

3. Em maio de 1960, a pouco mais de dois anos do início da competição, o Chile sofreu com um terramoto brutal, de 9.5 na escala de Richter, em Valdivia, que causou cinco mil mortos e deixou 25% da população desalojada. Face a isso, surgiram dúvidas de que o Chile iria ter tudo pronto a tempo, mas o país conseguiu mesmo, sob a liderança de Carlos Dittborn, presidente da Confederação Sul- Americana de Futebol. Ainda assim, o dirigente brasileiro naturalizado chileno não iria assistir ao Mundial, pois morreu, de ataque cardíaco, um mês antes do início da prova.

4. Três dias antes de começar o Mundial, a FIFA reuniu-se em Santiago do Chile e decidiu mexer nas regras das naturalizações, embora só tenham entrado em vigor em 1966, em Inglaterra. Definiu-se que um futebolista só poderia jogar por uma seleção se nunca tivesse representado outro país em jogos oficiais (a regra seria mais tarde alterada, dizendo respeito apenas às seleções principais). A intenção da FIFA visava acabar com a constante troca de seleções pelos jogadores, como chegou a acontecer no Mundial 62, em que dois ídolos dos seus países, Di Stéfano pela Argentina e Puskás pela Hungria, representaram a Espanha.

5. Nesta edição registou-se o empate com mais golos num Mundial, o 4-4 entre a União Soviética e a Colômbia, jogo no qual foi marcado o único golo de canto direto no torneio da FIFA, da autoria do colombiano Marco Coll.

6. O Chile apurou-se para os quartos de final após as vitórias sobre a Suíça (3-1) e a Itália (2-0), sendo que frente à seleção transalpina a partida ficou marcada pela violência, havendo socos e pontapés entre os jogadores das duas equipas. Ora, segundo rezam as crónicas da época, o árbitro, o britânico Ken Aston, esteve mal, favorecendo a equipa da casa, pois apenas expulsou jogadores italianos (dois), deixando os chilenos incólumes.

7. O jogo Brasil-Inglaterra, dos quartos de final, ficou marcado por um episódio insólito, quando um cão entrou no relvado. O guarda-redes inglês Ron Springett foi o primeiro a tentar tirar o animal do campo, mas ele escapou e foi para a zona do grande círculo, onde “fintou” Garrincha, o “rei das fintas”. Após várias tentativas, o cão foi apanhado pelo avançado inglês Jimmy Greaves.

8. A meia-final entre o Brasil e o Chile ficou marcada por um caso de arbitragem. Os brasileiros venceram 4-2, com o resultado fechado aos 78 minutos, antes de Garrincha ter sido expulso pelo árbitro, Arturo Yamasaki, após uma agressão ao chileno Eladio Rojas. A questão aqui é que Garricha deveria ter sido suspenso por pelo menos um jogo, e assim falhar a final. Mas isso não aconteceu.

9. A não-suspensão de Garrincha foi todo um filme, pois a FIFA convocou o árbitro para depor no processo instaurado ao jogador brasileiro, mas Yamasaki afirmou que não viu a suposta agressão e que a expulsão do jogador aconteceu por indicação do fiscal de linha, o uruguaio Esteban Marino. A FIFA chamou-o a depor, mas ele nunca o fez, surgindo a notícia de que teria regressado ao Uruguai (mas no seu país também ninguém sabia dele).

10. Houve rumores de que Esteban Marino terá recebido uma grande soma em dinheiro (15 mil dólares, o que seria uma fortuna) para desaparecer, uma vez que sem o seu depoimento a agressão de Garrincha não ficou provada e ele pôde jogar a final (o Brasil venceu a Checoslováquia por 3-1, mas Garrincha não marcou). Coincidência ou não, alguns meses depois do Mundial, Marino foi convidado a apitar jogos no Brasil pela Federação Paulista de Futebol.

Pelé (esq.) cumprimenta os jogadores portugueses. Portugal bateu o Brasil por 3-1 no Mundial de 1966
Eusébio e Garrincha: polêmica e curiosidades nos Mundiais de futebol de 1962 e 1966

Mundial 1966

País organizador: Inglaterra

Vencedor: Inglaterra

1. Foi a estreia de Portugal num Mundial, e numa participação memorável, acabando em 3º lugar, ainda hoje a melhor classificação de sempre da equipa das Quinas em Mundiais.

2. Um dos jogos mais memoráveis da seleção portuguesa aconteceu frente à Coreia do Norte. A equipa asiática tinha batido a Itália (1-0), e estava a surpreender Portugal nos quartos de final, vencendo por 3-0 aos 25 minutos. Mas Eusébio, com quatro golos, deu a volta ao resultado (acabaria 5-3, com José Augusto a fechar as contas aos 80 minutos). O Pantera Negra seria mesmo o melhor marcador da prova, com 9 golos.

3. Antes do Mundial, houve uma polémica com as nações africanas, que boicotaram o torneio em protesto contra uma resolução da FIFA, que determinava que o vencedor da zona africana de qualificação tinha de disputar o acesso ao Mundial com o vencedor da zona asiática ou da Oceania.

4. Os jogos do grupo de Inglaterra (que incluía ainda Uruguai, México e França) foram todos disputados em Wembley, com exceção do França-Uruguai, pois os donos do estádio não aceitaram adiar a corrida de galgos que ali se realizava às sextas-feiras.

5. O argentino Antonio Rattín foi o primeiro a ser expulso num jogo de seleções em Wembley, e isto porque o árbitro, o alemão Rudolf Kreitlein, não gostou da forma como ele o olhou nos olhos. Rattín demorou 10 minutos a sair de campo (sentou-se junto à linha lateral), sendo escoltado pela polícia. Este incidente levou a FIFA a instaurar os cartões vermelho e amarelo (iriam começar no Mundial seguinte), para facilitar a comunicação entre árbitros e jogadores que falassem línguas diferentes.

6. A final do Mundial 66 aconteceu a um sábado (foi a segunda vez na história, pois já tinha acontecido no Uruguai, na edição inaugural). A final do Mundial é sempre ao domingo (só não foi em 1930 e 1966), mas em Inglaterra não houve qualquer partida disputada ao domingo, uma vez que a igreja anglicana proíbe atividades físicas nesse dia.

7. A final opôs a Inglaterra e a Alemanha, com os britânicos a vencerem por 4-2 (após prolongamento). O 3-2, ao minuto 98 do prolongamento, da autoria de Hurst, é um dos golos mais polémicos de sempre, pois a bola foi à trave e terá batido em cima da linha da baliza, não a ultrapassando totalmente. Aliás, o lance terminou com o árbitro a marcar canto, mas, perante os festejos (e protestos) dos ingleses, o árbitro foi consultar o fiscal de linha, que confirmou que a bola havia entrado.

8. Este Mundial teve dois animais em destaque, um verdadeiro e outro de peluche. O primeiro foi o cão-herói Pickles, que encontrou a taça Jules Rimet (que é entregue ao vencedor do Mundial), enrolada num jornal, escondida nuns arbustos, em Londres – tinha sido roubada de uma vitrina quando estava em exposição no Center Hall de Westminster. O segundo foi um leão, chamado Willie, a primeira mascote de um Mundial de futebol.

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