México terá os cartéis de droga controlados durante o Mundial? Governo coloca 100 mil soldados nas ruas
Além dos narcotraficantes, as greves ameaçam, também, perturbar o torneio.
Os violentos confrontos que abalaram o México no início deste ano, depois de as autoridades tem matado Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, o temível líder do cartel Jalisco Nova Geração, levantam preocupações sobre a segurança no Mundial, que começa já na próxima quinta-feira. O país é um dos anfitriões da prova da FIFA - juntamente com os Estados Unidos e o México -, vai receber 13 jogos e muito possivelmente mais de um milhão de visitantes nas próximas semanas.
Durante largas semanas os militantes do cartel procuraram vingar a morte de El Mencho, espalhando uma onda de violência em todo o país. No espaço de um mês morreram cerca 30 agentes do governo e outros tantos membros do cartel.
Em Jalisco, a cidade de Guadalajara vai receber quatro jogos e um porta-voz da FIFA garantiu ao jornal The Independent que o governo do país "vai garantir um ambiente seguro e acolhedor". A presidente Claudia Sheinbaum pretende mobilizar 100 mil soldados para as cidades que vão receber o torneio, no âmbito de um plano em larga escala que pretende garantir a segurança nos estádios, centros de treino, terminais de transporte e pontos turísticos, através da colaboração de dezenas de agências federais e estaduais.
Mas também há especialistas a garantir que os cartéis não têm interesse em promover atividades violentas durante a prova, pois beneficiam de uma economia local fortalecida, aumentando, assim, os seus lucros.
Os líderes dos cartéis são muitas vezes donos de empresas locais ou "costumam extorquir grandes parcelas dos setores que se beneficiam de um maior fluxo de turistas", explica Tiziano Breda, da Armed Conflict Location and Event Data (ACLED), uma organização independente que analisa conflitos em todo o mundo. “Não estamos a registar aumentos significativos na violência contra civis, nem confrontos com o Estado ou entre grupos armados; muito pelo contrário. Mais violência faria com que mais pessoas evitassem participar nos eventos, o que significaria menos receita para esses grupos."
De qualquer forma, o risco permanece. "Restaurantes, hotéis, estacionamentos, mercadorias... tudo o que tem a ver com o Campeonato do Mundo certamente atrairá interesse e, portanto, poderá gerar violência se as pessoas não cumprirem as regras impostas por esses grupos”, alerta ainda aquele responsável.
Mas, além dos cartéis, há outra preocupação: as greves. Os professores ameaçaram causar sérios transtornos ao torneio e podem representar um problema prático ainda maior para as autoridades nas próximas semanas.
Esta semana professores em greve provocaram o caos no centro da Cidade do México, com os manifestantes a derrubarem enormes manequins de jogadores de futebol, incendiando bolas de futebol e bloqueando as principais vias da capital. Foram recebidos com balas de borracha e gás lacrimogéneo pela polícia de choque.
A Cidade do México vai receber o jogo de abertura do Mundial'2026, já na próxima quinta-feira, que coloca frente a frente a seleção azteca e a África do Sul. Além da capital, Guadalajara e Monterrey são as outras sedes mexicanas da prova.