VIH e o direito ao esquecimento: "Continuamos a ter uma mentalidade de há 30 anos"

A psicóloga Ana Duarte diz que o estigma em torno do VIH está a dificultar o rastreio e tratamento do vírus. O Centro Anti-Discriminação, que coordena, quer que o direito ao esquecimento proposto pelo PS se alargue a estes pacientes.

Um diagnóstico de VIH já não é uma sentença de morte. O desenvolvimento científico em torno de uma doença em tempos considerada terminal permite, hoje, aos seropositivos viverem vidas relativamente normais, com relações sociais e amorosas saudáveis e longevidades semelhantes à média. Mas o estigma que associa o vírus à homossexualidade e à toxicodependência persiste, e preside a denúncias de discriminação que todos os dias chegam ao CAD - Centro Anti-Discriminação VIH e SIDA, plataforma de apoio jurídico, advocacia e formação para portadores de VIH.

Foi com isto em mente que o Centro aproveitou o projeto de lei 691/XIV/2 do PS, que "reforça a proteção da pessoa segurada, proibindo práticas discriminatórias" e "consagrando o direito ao esquecimento", para reivindicar o mesmo direito para pessoas com infeção VIH ou hepatites víricas, que diz estarem a ser descriminadas pelas seguradoras e no crédito à habitação. Falámos com a coordenadora do CAD, a psicóloga Ana Duarte, para perceber o objetivo da reivindicação, e de que formas persiste a discriminação aos portadores de VIH em Portugal.

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