"A sobrepopulação, a degradação ambiental e a poluição têm evoluído negativamente e isso está a impactar a saúde das pessoas", alerta Luís Campos, presidente do Conselho Português para a Saúde e Ambiente.
Produzido pelo Observatório Português da Saúde e Ambiente, por iniciativa do Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), o primeiro Relatório Saúde e Ambiente 2024 alerta para um retrato "preocupante" do impacto dos fatores ambientais na saúde humana. "Uma em cada quatro mortes no mundo é causada por fatores ambientais" e "a percentagem de doenças que tem origem ambiental é ainda maior", revelam os resultados apresentados esta quinta-feira, 9 de janeiro.
De acordo com o relatório, o impacto crescente dos fatores ambientais na saúde humana está diretamente relacionado com a aceleração das alterações climáticas, o aumento da poluição e a perda de biodiversidade. "As determinantes ambientais da saúde estão a evoluir segundo os cenários mais pessimistas", explica à SÁBADO Luís Campos, presidente do CPSA. "(...) Determinantes como a sobrepopulação, a degradação ambiental e a poluição têm evoluído negativamente e isso está a impactar a saúde das pessoas".
Além disso, os resultados chamam a atenção para a necessidade da criação de políticas de saúde que monitorizem os fatores ambientais determinantes da saúde. Políticas estas que em Portugal "continuam quase totalmente divorciadas destas questões", segundo o relatório. Luís Campos atribui esta situação à falta de consciencialização. "É chocante ver que, sendo este o desafio mais importante que temos pela frente, por exemplo, não faça ainda parte da educação dos profissionais de saúde".
Por outro lado, o presidente do CPSA alerta para o facto de o setor de saúde contribuir para o agravamento desta situação, sendo que "cerca de 5% das emissões de gases com efeito de estufa se devem ao setor da saúde".
No que diz respeito aos fenómenos extremos que mais têm tido expressão em Portugal, no relatório são referidas por exemplo as ondas de calor: no verão de 2024 foram registadas duas. Além disso, também foram registadas catástrofes ambientais no nosso País, como é o caso dos incêndios florestais.
Estas condições ambientais refletem-se, por exemplo, na percentagem de mortes e anos perdidos por incapacidade em Portugal. "Em Portugal, com dados de 2021, estima-se que 8% das mortes e 4% do total de anos perdidos por incapacidade (DALY, Disability-Adjusted Life Years), estiveram relacionadas com a poluição do ar, temperatura extremas ou outros aspetos ambientais", pode ler-se no sumário do relatório.
Apesar de se focar nos sinais de alerta, o documento também destaca as boas práticas e enumera algumas das ações de mitigação e adaptação que já foram implementadas no sistema de saúde. Em Portugal, "em algumas áreas, mesmo em hospitais do Serviço Nacional da Saúde (SNS), começa-se a fazer um esforco de redução do impacto ambiental do setor da saúde. É o caso do Hospital de Santa Maria, o hospital Entre Douro e Vouga ou o hospital de Matosinhos", refere Luís Campos.
Além disso, o presidente do CPSA destaca ainda as modificações que tiveram como objetivo melhorar a prevenção e implementar cuidados de proximidade. "Um dos exemplos é a vacinação sazonal das farmácias comunitárias. Diminuiu o trajeto dos doentes e permitiu uma redução da pegada carbónica de 1253 toneladas, em 2022, para 739 toneladas, em 2023".
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