Covid-19

Ivermectina. Anti-parasitas milagroso ou "nova hidroxicloroquina"?

Ivermectina. Anti-parasitas milagroso ou 'nova hidroxicloroquina'?
Diogo Camilo 29 de junho

Desaconselhado pelo Infarmed e pelo regulador europeu, o medicamento contra os piolhos tem ganhado notoriedade e vai ser estudado pela Universidade de Oxford como alternativa mais acessível para tratar a covid-19. Em 2015 a sua descoberta valeu o Nobel da Medicina. Agora, com quase meio mundo vacinado, surge entre polémicas no mundo científico.

A vacinação contra a covid-19 já vai avançada em muitos países, mas as buscas por um tratamento mais acessível e de fácil produção continuam. Um tratamento em particular, a ivermectina, normalmente usado para o tratamento de piolhos, lombrigas, ácaros e sarna, tem ganhado notoriedade, embora tenha sido desaconselhado pela Agência Europeia do Medicamento e o próprio Infarmed ter apontado para a falta de evidências científicas acerca da sua eficácia em combater o vírus.

A polémica em Portugal nasceu no mês de março. Médicos prescreveram o antiparasitário a centenas de doentes, com base em investigações sobre os benefícios da ivermectina como tratamento à covid-19. Antes disso, em dezembro do ano passado, foi enviado à ministra da Saúde, Marta Temido, um apelo para reivindicar a ivermectina como tratamento da covid-19. O problema é que muitos dos estudos que comprovavam a sua eficácia apenas o comparavam a outros tratamentos com eficácia reduzida, como a hidroxicloroquina e a azitromicina. Por isso, a DGS pediu à Ordem dos Médicos um "parecer urgente" e dias depois o Infarmed pronunciou-se.

Em comunicado, a 11 de março, a Autoridade Nacional do Medicamento informou que, "dadas as limitações metodológicas nos ensaios em que a ivermectina foi utilizada, e as dúvidas quanto à dose adequada e sua segurança no âmbito da infeção causada pelo SARS-CoV-2, não existem evidências que apoiem a utilização deste medicamento na profilaxia e tratamento da COVID-19".

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