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"É uma questão de urgência de saúde pública”, alertam médicos sobre atrasos na cirurgia cardíaca no Norte

Perante as listas de espera de vários meses para cirurgia cardíaca, especialistas avisam que o atraso pode agravar a doença, enquanto o Ministério da Saúde promete uma “avaliação urgente” da situação.

Na região Norte, as listas de espera para cirurgia cardíaca e implantação da válvula aórtica preocupam os especialistas. Neste momento, há três hospitais a realizar cirurgias cardíacas naquela área - Vila Nova de Gaia e São João, e mais recentemente o Hospital de Braga. "A região Norte tem cerca de 4 milhões de habitantes. Para esta massa populacional, as indicações internacionais são um centro por cada milhão de habitantes", explica à SÁBADO Rui Nunes, médico e professor catedrático de bioética na Faculdade Medicina da Universidade do Porto.

Photo/Jaroslav Ozana (CTK via AP Images)

Em resposta à Lusa, na passada sexta-feira, o Ministério da Saúde prometeu uma avaliação urgente da situação: "Foi já solicitada à Direção-Executiva do SNS [DE-SNS] uma avaliação urgente da situação destes doentes em lista de espera e a apresentação de soluções efetivas em articulação com as unidades de saúde do SNS".

A resposta vem na sequência da notícia avançada pelo , que dava conta de uma carta enviada à ministra da saúde, Ana Paula Martins, pelos hospitais de Santo António, no Porto, e os de Vila Real, Matosinhos e Penafiel. Os hospitais - todos eles com serviços de cardiologia - alertavam para os tempos de espera de vários meses para cirurgia cardíaca na região e a necessidade de se criarem novos serviços. "É uma questão de urgência de saúde pública", faz notar Rui Nunes. Para o especialista, esta falha pode ser colmatada com a "criação de um novo centro que tem condições para o efeito, que é o do Hospital Santo António". E acrescenta: "Precisamente pelo risco [inerente à doença cardíaca] há pacientes a recorrer ao setor privado com grande sacrifício. Isto não devia acontecer devido a uma falha do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".

Sobre os riscos para estes pacientes, Mário Jorge Amorim, médico especialista em cirurgia cardiotorácica, que está operar no novo centro cirúrgico em Braga, refere: "Os doentes que ficam vários meses à espera de cirurgia cardíaca podem ter um agravamento da patologia e, mais tarde, necessitar de mais cirurgias".

Por outro lado, o especialista acredita que a avaliação sobre a necessidade de se criar um novo centro deve ser feita quando centro de Braga estiver a funcionar na sua capacidade máxima, já que a abertura do centro "já resultou numa diminuição da lista de espera". "Estamos a operar dois dias por semana. Espera-se a chegada de mais três cirurgiões cardíacos para operar todos os dias". 

Fontes dos hospitais explicaram ao DN que todos os anos são referenciados entre 500 a 600 doentes para os centros existentes naquela área, o que resulta em riscos para os doentes que ficam vários meses à espera de cirurgia. O diretor do serviço de cardiologia do Hospital de Santo António, André Luz, referia que o hospital de Santo António apresenta competências técnicas para se tornar num centro cirúrgico, mas aguarda autorização há mais de 10 anos.

Em entrevista à RTP, o especialista referiu que morreram 10 pessoas no Hospital de Santo António à espera de cirurgia cardíaca, nos últimos três anos.  

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