AstraZeneca. EMA admite ligação de coágulos com vacina, mas "benefícios são superiores aos riscos"

AstraZeneca. EMA admite ligação de coágulos com vacina, mas 'benefícios são superiores aos riscos'
Ana Bela Ferreira 07 de abril
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A Agência Europeia do Medicamento anunciou esta quarta-feira que apesar da possível ligação a coágulos sanguíneos, os benefícios são superiores aos riscos. AstraZeneca terá agora de estudar quais os fatores de risco para desenvolver coágulos.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) anunciou em conferência de imprensa, que os benefícios da vacina da AstraZeneca ultrapassam os riscos de coágulos sanguíneos. Considerando que pode haver uma ligação da vacina a estes cóagulos, o regulador europeu ordenou que a AstraZeneca desenvolva estudos que permitam perceber os fatores de risco para desenvolver esta reação considerada "muito rara".

REUTERS/Benoit Tessier/File Photo
Os coágulos sanguíneos devem ser incluídos como "possíveis efeitos secundários" da vacina referiu o regulador europeu. Apesar de serem "extramente raros" os coágulos surgem como uma resposta imunitária à vacina, sublinhou Emer Cook, diretora executiva da EMA.

Em causa está a ligação desta vacina, desenvolvida com a Universidade de Oxford, com o aparecimento de coágulos sanguíneos. Já esteve suspensa preventivamente, mas a EMA estava ainda a estudar se existe mesmo uma ligação entre os coágulos e a vacina contra a covid-19.

O estudo dos riscos estabelece agora que o risco "é muito raro" de um vacinado com a AstraZeneca venha a desenvolver "raros coágulos sanguíneos". Os casos de morte dentro de estes vacinados afetados são também muito raros, sublinhou Sabine Strauss, a coordenadora da equipa farmacologia e risco da EMA.

Não é ainda claro o que provoca estes coágulos, mas a equipa da EMA acredita que está em causa uma resposta imunitária. "Não foi possível estabelecer fatores de risco para o desenvolvimento dos coágulos", acrescentou Sabine Strauss. 

Os primeiros dados apontam para que os mais afetados por esta reação serão os vacinados mulheres, abaixo dos 60 anos, mas como a vacina está a ser dada a diferentes populações, um pouco por toda a Europa, a agência europeia refere que para já não é possível estabelecer com certeza se são mais as mulheres ou os homens os afetados, nem em que faixa etária ou com alguma doença associada.

Os primeiros dados apontam para mulheres abaixo dos 60 anos, mas isso também poderá ser pelo facto de em muitos países a maiora dos vacinados serem mulheres, referiu Sabine Strauss. Por isso, a AstraZeneca terá agora de desenvolver estudos para determinar factores de risco e causas para o desenvolvimento destes coágulos, refere a EMA. Até lá, a EMA não fará recomendações para limitar a administração da AstraZeneca a nenhum grupo específico.

Dificuldades respiratórias, inchaço no local da vacina, febre, mal-estar, são alguns dos sinais de que pode estar a desenvolver uma reação à vacina da AstraZeneca. Sinais que aparecem nas primeiras duas semanas, depois da vacina, alerta a EMA.

Peter Allett, diretor da equipa de análise de dados da EMA, sublinhou que os riscos de morrer de covid-19 é maior do que vir a desenvolver coágulos depois de ter levado a vacina da AstraZeneca. Estes efeitos são "extratemente raros" e podem ser comparados com os coágulos que podem ser desenvolvidos por mulheres que tomam contracetivos orais, onde são também extretamente raros, acrescentou o especialista em análise de dados.
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