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Unhas curtas: indicador económico ou simplesmente uma tendência?

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Unhas curtas e sem verniz são uma tendência: enquanto alguns pretendem imitar a realeza, outros acreditam que é um "sinal de recessão".

Unhas curtas, em formato squoval (quadradas com os cantos arredondados) e em tons "rosa leitoso" ou quase impercetíveis. As chamadas "unhas de princesa", cujo formato e cor são associados à realeza, estão em alta. Mas trata-se de uma tendência ou necessidade financeira?

A atriz Sandra Bullock chega aos Óscares
A atriz Sandra Bullock chega aos Óscares Foto de John Shearer/Invision/AP

Segundo um estudo da empresa State, esta tendência acumula já 2,1 milhões de pesquisas, tratando-se de um crescimento anual de 66,6%, segundo dados da Google cruzados com os do TikTok. Nesta rede social, a hastag #PinkNailDesign regista mais de 850 mil visualizações semanais. Enquanto algumas pessoas se referem a elas como "unhas de princesa", outros classificam-nas como "indicadoras de recessão".

"Pagar mais de 100 dólares por uma manicure parece uma loucura nesta economia", escreveu uma utilizadora do TikTok na legenda de um vídeo, ao referir-se ao atual contexto de incerteza económica. Nos comentários várias pessoas pareceram identificar-se com este cenário. "Sinto falta das minhas unhas, mas não estou disposta a pagar tanto, por isso, comecei a fazê-las eu mesma", escreveu uma outra utilizadora. "Talvez seja um sinal de que estamos a valorizar a nossa beleza natural." Em Portugal, os preços para uma manicure não chegam a este valor, mas podem variar entre os €10 e os €50, dependendo do procedimento. 

Alguns economistas alertam, no entanto, para os riscos de interpretar as tendências de beleza como indicadores económicos. No artigo Estamos a caminhar para uma recessão? Mostre-me as suas unhas, publicado pelo jornal , o economista Christopher Clarke destaca que as modas “vêm e vão" e que as tendências seguem os "ciclos culturais e a sazonalidade" e não a "economia real”. Além disso, recorda que os verdadeiros sinais de uma recessão passam, por exemplo, pelas taxas de emprego ou investimento, e não pelo comprimento das unhas.

A prova de que esta será, de facto, mais uma questão de moda do que um indicador económico, é que também as passereles estão a aderir a esta mudança. Nas coleções Primavera/Verão 2026 da Dior, Chanel, Celine, Maison Margiela e Antonio Marras, as modelos desfilaram de unhas curtas e sem verniz. Além disso, influencers como Betina Goldstein, Kim Truong e a britânica Harrier Westmoreland também têm vindo a aderir à tendência dos designs discretos. Goldstein, que é colaboradora da Chanel, prefere formatos mais naturais e subtis, Truong, responsável pelas unhas de Rosalia no videoclipe de Sauvignon Blanc, opta por comprimentos curtos ou médios, e Westmoreland fez das suas unhas curtas, brilhantes e translúcidas a sua marca registada.

“As unhas curtas voltaram com tudo e cada vez mais clientes se sentem atraídas pelo seu acabamento limpo e elegante. Quando experimentam, descobrem que são mais práticas e confortáveis, o que faz com que se tornem a sua escolha habitual. Atualmente, cerca de 80% das nossas clientes optam por unhas curtas”, explicou Jessica Vásquez, do salão de cabeleireiro David Lorente, à revista S Moda.

Isabel Auernheimer, que é maquilhadora de cinema e televisão, também concorda com essa afirmação: “Há meses que noto uma clara mudança nas tendências. Os looks naturais estão a voltar com tudo, talvez impulsionados por um certo cansaço das unhas de gel ou acrílico e com unhas excessivamente longas, que não são nem confortáveis nem práticas no dia a dia", referiu. "Unhas curtas e com pontas quadradas tornaram-se uma opção muito elegante. Passamos por um período de excessos, com unhas muito longas e grossas para sustentar esse comprimento, mas isso só faz sentido no mundo artístico e funciona bem como elemento visual no palco. No dia a dia, estão a começar a desaparecer."

Desde 2010 que se tem registado uma explosão nos salões de manicure, seguida de um debate em torno dos malefícios de determinadas técnicas e a retirada de componentes químicos específicos como o TPO. 

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