"Um problema da quarentena foi a alimentação das crianças"

'Um problema da quarentena foi a alimentação das crianças'
Vanda Marques 26 de junho de 2020

Menos exercício físico, comida desadequada e rotinas alteradas. Hugo Rodrigues fala dos desafios da quarentena nas crianças e ainda da importância dos primeiros 1000 dias.


Os desafios foram muitos, mas o pediatra Hugo Rodrigues acredita que "o confinamento não foi tão longo para deixar grandes marcas na maioria das crianças". É certo que a alimentação se pode ter ressentido e que a redução no exercício físico nunca é vantajosa. "No entanto, volto a dizer que, quando tudo voltar ao normal, rapidamente as crianças vão adaptar-se e retomar tudo o que ficou em atraso". 

O pediatra, que trabalha na Unidade de Saúde Local Alto Minho, em Viana do Castelo, é docente na Escola de Medicina da Universidade do Minho. Acabou de lançar O Livro do Seu Bebé - Os Primeiros 1000 Dias, da editora Contraponto. Com 40 anos, pediatra há nove, Hugo Gonçalves compartilha na sua página do Facebook: Pediatria para todos as respostas a todas as dúvidas dos pais. Coisas tão simples como a partir de que idade é que as crianças podem comer queijo, o que são as convulsões febris ou como funcionam os hábitos de sono nas crianças são alguns dos temas debatidos na página que tem mais de 45 mil seguidores no Facebook. Mas tudo começou com o site - pediatriaparatodos.com - que já conta com mais de 11 milhões de visitas.

O que na pediatria atraiu Hugo Gonçalves? "É um cliché, mas acho que gosto de tudo. É uma especialidade generalista, muito abrangente e isso atrai-me, porque é um desafio constante. Além disso, lida com as diferentes faixas etárias e é muito interessante, porque permite-me lidar com questões e problemas sempre diferentes." O pediatra revela ainda que o atraiu a medicina preventiva. "A saúde já não é, há muitos anos, uma simples ausência de doenças, mas sim o bem estar físico, psicológico, social e sexual. E o poder de contribuir para uma melhor saúde dos nossos bebés, crianças e adolescentes é algo profundamente gratificante. Como disse o meu professor de Pediatria, o Dr. Tojal Monteiro, 'cabe-nos o papel de pegar num recém-nascido e cuidar sempre dele, para se tornar num adulto'. E essa tarefa é uma responsabilidade enorme, mas acima de tudo, um prazer imenso."

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