Sábado – Pense por si

Pedro Ledo
Pedro Ledo
04 de dezembro de 2025 às 07:00

O Labirinto da Razão de Estado: Uma análise comparada da arquitetura do sistema de informações da República Portuguesa no contexto europeu

Ao contrastarmos o modelo português com os gigantes da inteligência europeia emerge uma assimetria profunda.

A análise do aparelho de informações de um Estado democrático não pode dissociar-se da sua memória histórica, pois é nas cicatrizes do passado que se desenham as linhas vermelhas do presente. No caso da República Portuguesa, a arquitetura do Sistema de Informações (SIRP) é, talvez mais do que em qualquer outra nação da Europa Ocidental, um produto direto de um trauma coletivo: a longa noite do Estado Novo e a onipresença repressiva da PIDE/DGS. Enquanto os serviços de informações britânicos ou franceses evoluíram numa continuidade orgânica de defesa do império e do Estado, o sistema português foi forjado numa rutura violenta, nascendo sob o signo da desconfiança. O legislador constituinte de 1976 e os reformadores da década de 1980 não procuraram primariamente criar um serviço eficaz; procuraram, acima de tudo, garantir que "nunca mais" uma polícia política pudesse operar em solo nacional.   

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