Shimao: a cidade que pode provar que a China é mais antiga do que pensava

Carolina R. Rodrigues 28 de agosto de 2018

Um estudo da Universidade de Zhengzhou, na China, levanta a possibilidade de reescrever a história do país com base nas novas descobertas.

Assume-se que a civilização chinesa tenha-se desenvolvido nas planícies centrais de Zhongyuan no fim do ano 2000 a.C. Porém, uma equipa de um estudo arqueológico realizado pela Universidade de Zhengzhou, na China, encontrou peças arqueológicas que remontam à Idade do Bronze num local baptizado como Shimao, que prova que terá havido uma sociedade complexa a habitar a zona, com presença de traços políticos e económicos, há cerca de 4300 anos – isto pode significar que o país é bastante mais antigo do que se pensa e que Shimao é provavelmente uma das maiores e mais antigas cidades do mundo.

As descobertas foram publicadas este mês na revista científica Antiquity, sob a autoria de uma equipa de especialistas liderados por Li Jaang. Estes crêem que Shimao, descoberto em 1979 por arqueólogos foi anteriormente berço de uma civilização vibrante e avançada para a altura, que construiu uma sociedade à volta de uma pirâmide com 70 metros de altura, 11 degraus maciços e com uma base de 24 hectares. A própria cidade era bastante grande, ocupando cerca de 400 hectares (quatro quilómetros quadrados).

A pirâmide perto do rio Tuwei servia com um palácio, sendo circundado por muros altos defensivos e diversos locais onde os investigadores acreditam ter sido usados para sacrifícios humanos. Todos os níveis estão decorados com símbolos antropomórficos, que poderiam ser utilizados como desenhos religiosos ou para tentar assustar possíveis invasores. "Estas figuras podem servir para adornar a pirâmide conferindo-lhe um poder religioso especial, fortalecendo ainda mais o impacto visual que ela gera em quem a vê", considera a equipa, que defende que a mesma era "uma lembrança constante e esmagadora para a população de Shimao do poder das elites" – uma espécie de representação física e literal de uma "pirâmide social", com a aristocracia a viver no topo.

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