As organizações sugerem que os municípios identifiquem e disponibilizem espaços públicos e privados, como bibliotecas, piscinas e jardins, onde se possa encontrar proteção durante episódios de calor extremo.
Doze organizações de ambiente e sustentabilidade apelam ao Governo e municípios para que assumam um compromisso com a adaptação ao calor extremo e apresentam seis propostas, como a de criar uma rede nacional de refúgios climáticos.
Calor AP
Numa carta aberta que será entregue ao Governo na quarta-feira, as organizações sugerem que todos os municípios devem identificar e disponibilizar desde já espaços públicos e privados acessíveis, como bibliotecas, piscinas, jardins e outros, onde qualquer pessoa possa encontrar proteção durante episódios de calor extremo.
Cada município deve divulgar e elaborar um plano anual de implementação das medidas de adaptação ao calor, e fazer anualmente um balanço das medidas dos Planos Municipais de Ação Climática.
As autarquias devem também identificar e apoiar pessoas idosas isoladas, sem-abrigo ou trabalhadores expostos ao calor, entre outros.
"É particularmente crítica a renovação energética do edificado e, quando adequado, a instalação de equipamentos de climatização ativa em creches e infantários, centros de dia, lares e unidades de cuidados continuados", dizem os subscritores na carta.
Pedem também um aumento significativo das áreas verdes e o sombreamento nas cidades, nomeadamente junto de escolas, parques infantis, paragens de transportes públicos e zonas de muito movimento pedonal.
Consideram ainda necessário adaptar edifícios e espaço público para reduzir as temperaturas nas cidades, apostar em coberturas verdes, por exemplo, e investir na eficiência energética.
Afirmando que os planos municipais de adaptação climática são "um passo fundamental" para a resiliência local, e que podem contribuir para reduzir os impactos das ondas de calor, e de outros eventos climáticos extremos, as organizações apontam que a implementação deve ser prioritária e o Governo deve disponibilizar para tal uma linha de apoio.
A carta, a ser entregue no Dia Europeu das Vítimas da Crise Climática Mundial, instituído pelo Parlamento Europeu e que se assinala a 15 de julho, tem como destinatários o primeiro-ministro e os ministros do Ambiente e Energia, Saúde e Infraestruturas e Habitação, e também o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses.
O documento salienta que o calor extremo é "uma emergência de saúde pública" e que Portugal precisa de acelerar a implementação de medidas de adaptação. E deixa-se um alerta: as ondas de calor são o evento climático mais mortal na Europa.
A carta cita dados que indicam que a mais recente onda de calor matou mais de 1.300 europeus, recorda que Portugal já teve seis ondas de calor este ano e diz que além de uma ameaça à saúde pública as ondas de calor têm custos económicos significativos.
As organizações referem que Portugal tem legislação, mas dizem que o problema é "a velocidade da implementação" e apontam que cada árvore plantada, rua sombreada ou escola adaptada é uma intervenção para salvar vidas.
"Não podemos aceitar que, verão após verão, continuemos a contabilizar mortes evitáveis enquanto as soluções permanecem adiadas", dizem os subscritores do documento, entre eles as associações Geota, Quercus, Zero, Greenpeace Portugal e WWF Portugal, ou a Rede Portuguesa de Embaixadores do Pacto Climático Europeu.
Num comunicado, a Rede de Embaixadores explica que a entrega da carta se insere numa ação de sensibilização junto da sede do Governo sob o tema "Lisboa não é uma sauna!", ação essa em que os participantes irão envolverem-se em toalhas e levantar cartazes precisamente com essa frase.
A ação associa-se à campanha europeia "#citiesnotsaunas" promovida pela CAN Europe (Climate Action Network Europe), que é a maior coligação europeia de organizações não-governamentais de luta contra as alterações climáticas. Tem como principal objetivo exigir cidades que consigam resistir às ondas de calor.
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