Manuel Alberto Valente reage a acusações de assédio: "Extremamente graves e, acima de tudo, falsas"

Manuel Alberto Valente reage a acusações de assédio: 'Extremamente graves e, acima de tudo, falsas'
Diogo Camilo 02 de maio
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O antigo diretor editorial da Porto Editora, acusado de assédio por Joana Emídio Marques, diz que vai avançar judicialmente contra a jornalista por atentado à sua "honra e consideração".

O escritor e antigo diretor editorial da Porto Editora, Manuel Alberto Valente, reagiu este domingo nas redes sociais à acusação de assédio sexual realizada por Joana Emídio Marques, jornalista que relata um episódio de 2012, no qual o também cronista do semanário Expresso, de 76 anos, terá tentado beijá-la, depois de um jantar de trabalho em que proferiu frases insultuosas.

Manuel Alberto Valente
Manuel Alberto Valente DR
"Na passada sexta-feira, uma determinada Senhora fez-me acusações extremamente graves e, acima de tudo, falsas", escreve o editor numa publicação na sua página de Facebook.

Manuel Alberto Valente refere que não irá comentar a acusação - "seria incendiar ainda mais um justicialismo de praça pública" - e avança que irá avançar judicialmente contra a jornalista, por atentado à sua "honra e consideração".

Na passada sexta-feira, uma determinada Senhora fez-me acusações extremamente graves e, acima de tudo,...

Publicado por Manuel Alberto Valente em Domingo, 2 de maio de 2021


Antes, Joana Emídio Marques relatou o episódio de quando terá sofrido de assédio. Na altura jornalista do Diário de Notícias, procurava um furo jornalístico de que a Porto Editora iria comprar a Assírio e Alvim. Refere que já era "amiga" no Facebook de Manuel Alberto Valente e que este lhe enviava mensagens "pseudo-sexutoras", tendo aceitado um jantar com o então diretor editorial da Porto Editora para discutir a compra da Assírio.

"Ele, cavalheiro, a ajudar-me a despir o casaco, a puxar a cadeira para eu me sentar. Estava eu a ficar bem impressionada, quando ele tira do bolso uma caixinha de comprimidos que espalhou na palma da mão e aproximou do meu rosto e lançou: 'Estás a ver? Não tenho aqui nenhum comprido azul.' Eu, que acabara de conhecer o homem e não queria parecer burra, forcei o meu cérebro a tentar entender a 'piada' mas não consegui. 'Oh', soltou ele, 'não te faças de sonsa'. Assim, logo a tratar-me por tu e a insultar-me de forma velada. Nesse momento eu entendi (se nasces mulher aprendes cedo a descodificar alusões sexuais): o homem estava a mostrar-me, a dizer-me que não tomava Viagra. E aquilo que era para mim um jantar de trabalho tornou-se logo ali uma humilhação", revela.

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Publicado por Joana Emídio Marques em Sexta-feira, 30 de abril de 2021

A jornalista aponta que não se lembra do que foi falado naquele jantar e que não conseguiu saber nada de concreto sobre o negócio da Porto Editora: "Por essa altura já tinham sido medidas as forças. Ele já tinha percebido que não me ia levar para a cama e eu já tinha percebido que sem isso não havia estória. Só história."

O ex-diretor editorial terá então oferecido boleia a Joana Emídio Marques até ao seu carro: "Ele ofereceu-se para me dar boleia até lá. Aceitei. Erro meu. Quando parou o carro e ia dar-lhe os tradicionais 2 beijos de despedida, o Manuel Alberto Valente ainda achou por bem começar a tentar beijar-me na boca, com uma descontração que mostrava que ele deve ter feito isto centenas de vezes. Eu afastei-me e sai do carro. Em silêncio chamei-o de velho porco, em silêncio humilhado chorei até Setubal."

Alberto Valente, de 76 anos, é uma figura de referência da literatura em Portugal, tendo sido durante dez anos diretor editorial das Publicações Dom Quixote, entre 1981 e 1991, e diretor-geral das Edições Asa entre 1991 e 2008, assumindo em 2008 o cargo de diretor editorial da Porto Editora até 2020, de onde saiu reformado. Atualmente escreve uma coluna de opinião no Expresso. É casado com a conhecida editora Maria do Rosário Pedreira.

Na sua publicação, a também escritora Joana Emídio Marques revela também que contou o episódio a vários amigos e que se queixou, na altura, ao assessor de imprensa da Porto Editora, Rui Couceiro, que reconheceu "haver esse problema", "como quem aceita que pode chover num dia de sol".
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