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Mais turismo, não obrigado. Oito medidas drásticas para diminuir a pressão

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Já se cobram taxas turísticas e limitam-se os alojamentos locais, mas nada parece resultar. Há sítios em que as iniciativas se tornaram mais radicais

1. Quase podemos sentir o sossego de um domingo, desde que recentemente o acesso marítimo à ilha de Ulva, na Escócia, foi fechado para travar a invasão diária de turistas. Neste pedaço de terra junto ao mar vivem apenas 16 pessoas, que assistiram à passagem da sua ilha do total anonimato à fama, por culpa de um programa de televisão em que o apresentador, um designer australiano, decidiu recuperar uma casa do princípio do século XIX e mudar-se para este pequeno paraíso, por onde nem carros passam.

Turistas em Lisboa
Turistas em Lisboa Sérgio Lemos/Correio da Manhã

Este é apenas um pequeníssimo exemplo, numa pequeníssima escala, mas serve bem de modelo para um conjunto de medidas que têm vindo a ser tomadas por governos centrais, poder regional ou iniciativa privada para que no mundo se viva melhor com o overtourism. Os números, só por si, assustam: até 2030, as chegadas internacionais poderão atingir os 1,8 milhões. Para acompanhar estas invasões, tenta-se agora que quem viaja respeite mais e melhor os locais para onde se desloca, de forma consciente e sustentável. 

Ulva, Escócia
Ulva, Escócia

2. E porque haveremos de estar todos no mesmo lado do Globo, em Barcelona, Veneza ou Amesterdão (80% visita 10% dos destinos mundiais)? Contra o turismo excessivo, o Parlamento Europeu decidiu lançar uma série de diretrizes e incentivos para que as pessoas visitem regiões emergentes e menos populosas, como zonas rurais ou montanhosas, reforçando as ligações de transporte a esses locais, conforme consta do relatório aprovado em abril deste ano.

3. Já em Copenhaga, na Dinamarca, a estratégia passa por incentivos ao bom comportamento. O programa CopenPay serve para que os visitantes acedam a experiências através de ações sustentáveis, como recolha de lixo nos canais ou deslocação de bicicleta até museus. Mais de 30 mil pessoas participaram na iniciativa desde 2024, segundo a BBC Travel. 

Copenhaga
Copenhaga

4. Embora este ano as cerejeiras tenham florido da mesma forma espetacular que em primaveras anteriores, os turistas não puderam gozar o prato como habitualmente, em vário sítios do Japão. O cancelamento do festival das flores de cerejeira, que costuma atrair 200 mil pessoas, não foi a primeira medida tomada por este país para lidar com o excesso de turistas (só em 2025, recebeu 43 milhões de estrangeiros). Em Kyoto também se luta há muito tempo contra as aglomerações. A cidade proibiu que as pessoas fotografassem as gueixas e restringiu o acesso a certas alamedas do distrito histórico de Gion, um dos pontos mais populares. Mais recentemente, também se recorreu à tecnologia, lançando ferramentas digitais de gestão de multidões. As operadoras de turismo estão assim a ajustar-se. Por exemplo, a Inside Travel Group, com preocupações socioambientais, redirecionou o foco para cinco regiões pouco visitadas: Toyama, Nagoya, Nagasaki, Aomori e Yamaguchi.

Japão
Japão

5. Para grandes males, grandes remédios. Há regiões a desprezar o facto de pertencerem à privilegiada lista de Património Mundial na UNESCO por esse facto atrair demasiada gente, nem sempre com os melhores propósitos. Além dos menos esperados destinos de Ngorongoro, na Tanzânia, ou Vlkolínec, uma aldeia da Eslováquia, com pouco mais de 30 habitantes, há a mais evidente Veneza, cidade que aos poucos foi perdendo os seus habitantes, e que em breve receberá a recomendação de Património Mundial em perigo.

Venezuela
Venezuela

6. Depois, há estratégias, como o demarketing. Como o nome está mesmo a dizer, trata-se do contrário da promoção e aplica-se muito bem a cidades que já não precisam de divulgação. A ferramenta serve para desencorajar turistas a viajarem para locais saturados. Os Países Baixos, por exemplo, estão agora concentrados em gerir a entrada de pessoas e não na promoção do país. 

Amesterdão
Amesterdão

7. Em muitos pontos do Globo, como Nova Iorque ou Dubrovnik, a luta contra o excesso de turismo começou com a restrição às casas de alojamento local que, ao tornarem a estadia mais acessível, enchem bairros históricos de pessoas que não vivem lá permanentemente. Além de inflacionarem o preço da habitação. O travão à entrada de cruzeiros de dimensões exageradas, com notória pegada ambiental, em determinados portos começa a ser controlada ou mesmo vetada, como no caso de Veneza. Não admira: em poucos minutos, as cidades enchem-se de turistas que se deslocam em grupo e que visitam todos as mesmas atrações. E o retorno financeiro nem serve de argumento, pois estas pessoas deixam muito pouco dinheiro nos locais por onde rapidamente passam.

Times Square
Times Square
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