O inquérito de aplicação de encontros não monogâmicos revela que 71% das utilizadoras já fantasiou com outra mulher e 75%recorrem à plataforma para explorar uma faceta da sexualidade que não conseguem expressar na relação principal.
A 17 de maio, assinala-se o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia. Num contexto onde as desigualdades ainda persistem, um inquérito da aplicação de encontros não monogâmicos Gleeden - presente em 150 países - revela que a maioria das mulheres inscritas na plataforma tem ou já teve fantasias sexuais com outras mulheres (71%), embora não se identifiquem como lésbicas.
Bandeira LGBTQIAP+ hasteada num poste sob um céu azulAP Photo/Eraldo Peres
A sexóloga brasileira Flávia dos Santos, embaixadora internacional da Gleeden, explica à SÁBADO que as "fantasias sexuais ou homossexuais são muito mais comuns do que se pensa, mas como tocam o tema do medo e da vergonha, é um assunto pouco falado".
Ainda assim, a especialista relembra: "(...) fantasiar não significa colocar em prática. Fantasiar é uma forma de lidar com o desejo". Para Flávia Santos, "[todos] somos bissexuais de nascimento, e temos dentro de nós - por mais que a orientação seja heerossexual - também esse lado do desejo homossexual".
Os dados recolhidos pelo inquérito revelam que 57% das mulheres heterossexuais inquiridas admitem já ter tido fantasias com outras mulheres e 14% afirmam que essas fantasias são frequentes. 88% são casadas com homens, 56% assumem-se como heterossexuais e 44% como bissexuais. Apesar das percentagens mostrarem que existe curiosidade, a concretização das experiências já apresenta números mais baixos: 43% das mulheres inquiridas admitem curiosidade ocasional, mas 57% afirmam que fatores como a conexão emocional e a quebra de rotina não seriam suficientes para dar esse passo. Ao contrário do que se possa pensar, o principal obstáculo identificado não é julgamento social, mas sim a falta de referências ou de saber como agir neste tipo de interação (29%).
Sobre o papel da educação sexual neste campo, a especialista diz à SÁBADO: "Temos uma ideia muito confusa sobre educação sexual porque pensamos que tudo é instintivo. Mas não. Tudo é um processo de aprendizagem que se une, não só com as próprias fantasias, com as próprias experiências e o próprio conhecimento, e que vai dando um contorno ao que é o desejo de cada um." Para Flávia dos Santos, a educação sexual ainda é muito focada "em aspectos assustadores de proibição, de doenças, de perigos". Além disso, relembra que a pressão social para que as pessoas “definam” a sua orientação sexual ainda é uma realidade: "A nossa orientação não é fixa, não é definida. (...) É flutuante."
Por outro lado, o estudo da Gleeden mostra que 75% das utilizadoras recorrem à plataforma para explorar uma faceta da sua sexualidadeque
não conseguem expressar na relação principal. O que isto revela sobre as relações amorosas na atualidade? "Acho que o facto das mulheres estarem a abrir-se mais e a descobrir a sua sexualidade é libertador. Durante muito tempo foi controlado, estigmatizado e deixando a mulher sempre em culpa, seja pelos desejos, seja pela exploração", conclui a especialista.
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